sábado, janeiro 31, 2004

BLOGOSCOPIA - 1

Como a "blogosfera" também é gente (será?), chegou a altura de lhe dar um pouco de atenção.
À primeira vista, o circo apresenta uma clivagem mais evidente entre os chamados de "esquerda" e os auro-denominados de "direita". É a velha questão.
Ou melhor, o velho cisma. O mesmo que já Rabelais referia como estando na origem da pugna entre Beija-Cus e Cheira-Rabos; ou Swift alegorizava na guerra ancestral entre Blefuscudianos e Liliputezes. (Os mamíferos em questão, e são muitos, vão negar isto com quantos dentes têm, argumentando que são episódios anteriores à revolução Francesa e eles só gostam é de brincar à dita Revolução, mas não acreditem.)
A seu tempo dilucidarei exaustivamente este fenómeno. Por agora, convencionemos apenas que os de "direita" correspondem, respectivamente, aos Cheira-Rabos ou Liliputezes, consoante a autoridade citada.
Umas palavras genéricas sobre estes blogues Liliputezes (ou Cheira-rabianos, se preferirem)... Em regra, não são dignos de menção ou atenção: são mais dignos de pena; uma verborreia pomposa e gritantemente queque, pechis-queque, panqueque ou filoqueque, não consegue disfarçar, de todo, o pedido angustiado de atenção veterinária e valium injectável. É escusado procurar-se neles qualquer ideia, argumento ou projecto, ainda que rudimentares. Invariavelmente servem-se, pela negativa, das pouco brilhantes e muitas vezes patéticas ideias e argumentos dos Blefuscudianos (ou Beija-Cus, se preferirem), quer dizer, parasitam-nas malévolamente, esforçando-se obsessivamente por destrui-las ou vandalizá-las. Transposto para a nossa realidade, são, em resumo, "contra-qualquer-coisa" - contrabortistas, contra-eutanazes, contramarijuanistas, contrarevolucionários, contrademocratas, enfim: aguardam que os adversários (e também hospedeiros) digam qualquer coisa, apresentem qualquer argumento ou projecto, para se definirem e afirmarem...naturalmente, contra. Da mesma forma, são destituídos de qualquer tipo de convicções, preferindo conspirar e urdir contra qualquer convicção alheia, boa ou má, sensata ou não. Beneficiam também do facto destas "convicções alheias" não primarem, em grande parte dos casos, por grandeza ou originalidade por aí além. Mesmo para efeitos básicos de parasitagem e deturpação, algo que não fosse medíocre e mesquinho impossibilitar-lhes-ia o acesso e a lavoura.
O blogue Liliputês com que inauguramos esta nossa rubrica, é revelador de toda esta panóplia mental. Referimo-nos ao Mata-Mouros.
A vantagem do Mata-Mouros em relação a outros da mesma estirpe (como a "Abrupto", por exemplo) é que consegue ser ainda mais bacoco e pedante. Além disso, transporta o farisaísmo característico da espécie a níveis anedóticos.
Não acreditam?
Começa no subtítulo: "perspectiva política liberal inconformada". Um liberal inconformado (não confundir com revolucionário, que é comuna) é no mínimo, esquisito: faz lembrar um "panasca ninfomaníaco"; ou um "canibal vegetariano".
(Se bem que o sentido, no fundo, depois de aturada pesquisa e alguma indulgência, até seja perceptível: quer dizer que os gajos nunca se conformam com a péssima situação do mundo; acham que conseguem sempre fazer pior! Baseiam-se, de resto, no lema predilecto das suas vidas: "quanto pior, melhor.")
Depois, têm um manifesto, com aquelas coisas todas que lhes desagradam, em tese, mas das quais vivem, muito provavelmente, na prática. Todavia, o mais engraçado e emblemático não é isso: o mais exuberante é a forma como terminam esse arrazoado de balelas juvenis. Dizem eles: "Dando o antigo grito português, prometemos “dar Santiago” a todos eles..."
Conluimos, portanto, que estes "mata-mouros" são espanhóis mascarados de portugueses. Revelam-se pelo "grito". Em Aljubarrota, nós gritámos por S.Jorge (não confundir com o Sampaio); por "Santiago" gritaram e, pelos vistos, continuam a gritar os espanhóis.
Fugiu-lhes a boca prá verdade. Bem feito. E deve ser daí que lhes vem o "inconformados": os castelhanos, verdade seja dita, nunca se conformaram com a independência portuguesa. São oitocentos anos de inconformismo.
Não obstante, tudo isto deve ser exagero sarcástico da minha parte. O mais provável é serem apenas mancebos de esmerada trunfa, angustiados (mais até que inconformados) com a perspectiva da calvície.

O "FANTASPORTOGAL"

Apregoa-se por aí, em tons proféticos, muita coisa. Eu, por mim, já acredito em tudo.
Agora é o Alberto João Jardim que aparece fadado para futuro Presidente da Assembleia da República. Não discuto...Limito-me a imaginar: o Durão Barroso primeiro ministro; o Paulo Portas ministro de estado e da defesa; a Ferreira Leite ministra das finanças; o Alberto João presidente da AR; o Santana ou o Cavaco presidentes da república...Tudo ao mesmo tempo... Não é o "fantasporto", é melhor: é o "FantasPortogal"!...

sexta-feira, janeiro 30, 2004

O NÍVEL E O DÉFICE

Falando aos jornalistas após o debate mensal na AR, Durão considerou que «há um défice de cultura democrática no nosso país» e lembrou que «a mudança consegue-se dando o exemplo».
Portanto, meus senhores, além do "debate político" estar a baixar de nível, também o défice da "cultura democrática" aumenta.
O ideal seria que o défice baixasse e o nível subisse. Mas este, decididamente, é um governo às avessas: desde que assumiu funções, e ao contrário do que seria desejável, o nível do debate nunca mais parou de descer e o défice da "cultura democrática" nunca mais parou de subir.
Entretanto, também o primeiro ministro está a ser modesto; esquece os outros níveis que o seu governo, tão esforçadamente, tem baixado: o nível de vida da maior parte da população; o nível de educação; o nível da assistência médica; o nível das relações externas, etc.
Em boa hora, o Durão se confessa e tudo isto se revela. Ao menos, serve para refutar, duma vez por todas, todas essas más línguas que o acusam de só se preocupar com o combate ao défice. Défice?! Quer lá ele saber do défice: está em combate, mortal, é contra o nível!...
E nisso, ninguém pode negá-lo, tem sido exemplar.

DESABAFOS

Se há coisa que sempre há-de espantar os nossos políticos é a realidade. De vez em quando, sobrevêm-lhes flashes ocasionais da dita e é vê-los estupefactos e surpreendidos. É claro que isso só serve para fazê-los refugiarem-se ainda mais encanzinadamente nas miragens alternativas, sob o efeito de pílulas cor-de-rosa reforçadas. Mas, nesse raro entretanto, avassalados de genuíno pânico, às vezes, vejam lá bem, até lhes dá para terem desabafos compungidos e compungentes. Foi o que, nestes dias últimos, aconteceu às duas principais figuras da nação...E reparem no teor dos seus desabafos:
"Portugal está a baixar o nível do debate político, argumenta ainda o PM (...)
Durão Barroso reagia assim às declarações do Presidente da República que, na quinta-feira no Porto, lamentou que o fosso entre a classe política e o povo esteja a aumentar, argumentando que os segundos pensam que os primeiros são uns «bandalhos» e «uns malandros» .


No fundo são coisas lógicas e simples. Naturalmente, quanto mais lógica e simples é uma coisa, mais abstrusa se torna aos olhos dum político. Mas é verdade, senhor Primeiro Ministro: o "debate político" necessariamente reflecte os "politicos" que o exercem. Se os políticos são o que são, então o dito debate só pode ser mesmo de baixo nível, extracção e compenetrada rasquice. Se lhes adicionar uns jornalistas ainda mais rascas, calcule a peixeirada em que vivemos. Não admira a depressão em que o país está mergulhado.
Por outro lado, lá anda o Gorge Sampaio a meter os pés pelas mãos e a chegar sempre atrasado à realidade. Senão reparem: Hoje em dia o tal povo já não pensa que os políticos são uns malandros e uns bandalhos. Não, de maneira nenhuma. Isso, era dantes, quando o povo realmente suspeitava que os políticos eram uns bandalhos e uns malandros. Agora, graças sobretudo ao generoso contributo dos governos rosas e laranjas, mais respectivos acólitos parlamentares, já não suspeita: tem a certeza.

quinta-feira, janeiro 29, 2004

HESITAÇÕES...

Acabámos por não comer a mãe ao santo. Isto, porque o Caguinchas, um raios o partam, pelo caminho, teve um momento de hesitação, expresso na seguinte dúvida existencial:
-"Ó Dragão, mas a brasileira mãe do santo não é daquelas que barbeia a cona, pois não?!..."
Aí, eu, diabos me levem, não resiti. E proclamei-lhe o seguinte:
-"Não, ó Caguinchas, fica tranquilo: não é dessas. Até porque, sendo mãe de santidade, para ela a cona é sagrada, portal beatificado! Só se lhe pode ir ao cu!..."
O Caguinchas começou logo a ficar desconfiado. Mesmo assim ousou uma segunda tentativa:
-"Mas fazem mamada, ou não?!..."
-"Sim, sim... - Acudi-lhe, pressuroso. - Fazem broches celestiais. Mas convém ficares-lhe atento aos olhos..."
-"Aos olhos?!!...- Espantou-se, o Caguinchas. - Mas porquê: hipnotiza-me?!..."
-"Não. - Retorqui, com o ar mais angélico deste mundo. - É para topares quando ela os começa a revirar..."
-"Chiça, não me digas que ela se vem a chupar!..." - Precipitou-se, incrédulo, o Caguinhas.
-"Nada disso. -Corrigi-o. - Quando os olhos começam a revirar-se não significa que está a ter um orgasmo: significa é que está a ter um ataque epiléptico!..."
-"Foda-se!!..." - Arrepiou-se todo, o Caguinchas. Que até os tomates (jurou ele no dia seguinte, quando lhe voltei a pôr a vista em cima) se lhe encarquilharam.
Por causa disso, claro está, já não fomos.
Que querem, a sacanice é mais forte que eu...

CARTAS E BÚZIOS

O Caguinchas, com esta erudição toda das putas, mais as americanices adstritas, anda a ficar inconsolável. O alívio manual, decididamente, já não o satisfaz. Mas, por outro lado, a verdadeira fobia que desenvolveu em relação às novas modalidades de putaria, continua aguda. Como há vícios que só se podem combater com outros vícios ainda piores, refugiou-se no jogo. Não há tugúrio de batota clandestina que não peregrine, nem casino manhoso que não frequente. O problema é que está a ficar sem crédito em quase todos eles. "Sem crédito", é forma de dizer: na verdade, parece que tem mesmo é a cabeça a prémio.
Enfim, deve ter sido por causa dessas complicações todas que ontem chegou ao pé de mim, cheio de ares furtivos e solertes, reclamando paternidade para o seguinte projecto:
-"Olha-me só esta mina, ó Dragão!..."
Em simultâneo, ia-me mostrando a página de anúncios dum matutino nacional, onde rezava: "Mãe de santo brasileira, joga-se cartas e búzios...telef:...."
E ainda mal eu tinha acabado de ler e avaliar a tal mina, já ele rematava:
-" Pá, búzios deve ser assim uma espécie de dados... Tratas tu deles, que eu trato das cartas!...Depenamos aqueles patos, que é um ver se te avias! E no fim, com um bocado de sorte, juntamos o útil ao agradável e ainda papamos a brasileira!...Ãh?! que é que me dizes: ideia do carulho, não?!..."
E como eu tardasse a sair da estupefacção em que a sua arquitectura temerária me mergulhara, o Caguinchas, todo pintas, reforçou a dose:
-"Oh pá, o filho é santo, quer dizer que deve ser um g'anda anjinjo que até nos agradece por lhe comermos a mãe!... A não ser que não gostes delas maduras!?..."
-"Não, ó Caguinchas: gosto, gosto." - Reagi, finalmente.
E é verdade. Por isso lá fomos os dois, depenar os patos e comer a mãe ao santo.
Sempre me ensinaram que nunca se deve contradizer um doido.

O MILAGRE DAS LARANJAS

Aqui, no Santuário de Nossa Senhora das Mordomias, os milagres, prodígios sumptuosos da preferência divina pelas nossas gentes, sucedem-se, num ritmo avassalador e quase ininterrupto. Qualquer dia, de tão empaturrados na misericórdia divina, já nem lhe damos valor.
Agora foi a Celeste, essa santa mulher com nome a condizer, que -à saída do palácio, com o regaço carregado de laranjas pró pobrezinhos-, surpreendida no desfalque, respondeu ao régio olhar inquisidor:
-"É palha e ferraduras, senhor!..."
E abrindo o manto, oh inefável alquimia!, eis que as laranjas se tinham transformado em palha e ferraduras, de facto!...
Rosas, há que reconhecê-lo, não seria de bom tom; e palha e ferraduras sempre dão mais jeito que as flores. Mais: são prova inequívoca duma caridade transcendente e benevolência sublime... já que toda a corte nos toma por cavalgaduras, ao menos ela, apiedada, sempre verteu alimento e calçado pró nosso espírito.
Além disso, a serem flores, certamente que seriam cardos. Não é por acaso que a Celeste, em detalhe de santa, é cognominada "a Cardona".

O PORTUGUÊS E A MATEMÁTICA

Parece que, mais uma vez, os resultados da aferição da estudantada a Português e Matemática foram catastróficos. O Ministro da Educação, David Justino, de cabeça perdida, e após escapar ileso a mais uma emboscada dos seus Secretários de Estado, responsabiliza o governo anterior. Há nisto tudo, por um lado, um exagero; por outro, um acesso exacerbado de modéstia.
Comecemos pelo exagero... Os alunos não perceberem patavina de português não é minimamente grave, nos dias que correm: grave seria se não percebessem patavina de inglês. Ora, aí, quase que aposto que são todos uns barras. Aliás, quanto menos português souberem e perceberem, melhor para eles e para a sua carreira futura. Até porque, em Portugal, há muito que se deixou de falar o português: labia-se ou o "anedotês", um dialecto básico e essencial para entender políticos, jornalistas e humoristas (estou a ser redundante, pois bastava dizer "humoristas") ou o SMS, "anedotês" criptado e minimalista para uso via telemóvel. De resto, a própria conversação directa, boca/ouvido está a cair em desuso, substituída pela palração filtrada através do adorado telemóvel. Mesmo entre pais e filhos, dentro do mesmo domícilio, a interlocução telefónica digital é já predominante.
Quanto à matemática, menos sentido ainda faz o alarme do ministro. Toda a gente sabe que as leis matemáticas (sejam as da aritmética, álgebra ou trignometria), à semelhança de quaisquer outras leis, no nosso país não se aplicam. Existem como meros exercícios teóricos, masturbações académicas, mas não têm qualquer uso ou relevância em termos práticos. 2+2 é igual a 4, para um pobre ou assalariado; se for uma grande empresa, um administrador dum banco, ou equivalentes, 2+2 é igual a 1, no melhor dos casos, porque na maior parte das vezes dará mesmo um número negativo ou irracional.
Entretanto, o exagero de modéstia, como é óbvio, resulta na responsabilização histórica do governo anterior. O ministro está a usar de grande transigência e brandura... Na verdade, culpado mesmo foi o D.Afonso Henriques, mais a triste ideia que teve nas vésperas daquela batalha de S.Mamede. Ou então o péssimo entendimento que a descendência sempre manifestou a respeito desse tumulto fundador: em fez de S.Mamede perceberam sempre, e obstinadamente, S. Mamaide!...
Não é "mamaide", é Mamede, ó filhos da puta!... (Nunca é tarde demais para chamar a atenção....)

terça-feira, janeiro 27, 2004

TEORIA DAS ADMs - 3

Posto que, finalmente, já sabemos onde estão as ADMs, bem como o Saddam Original e o Bin Ladden, resta agora avaliar que planos maquiavélicos são os deles.
Mas antes da grande revelação, alguns pormenores significativos pra criar suspense:
1. Sabe-se que têm armazenado grandes paióis de ADMs e TNT avulso na face escura da Lua. Naturalmente, porque é a face que nunca se vê, estando portanto ao abrigo dos olhares indiscretos do telescópio Huble, dos satélites espiões e do Nuno Rogeiro; e, sobretudo, porque os americanos são de tal modo estúpidos e imprevidentes que se esqueceram de instalar faróis nos Vaivéns, sondas e módulos de alunagem.
2. Vários arrependidos da AL Qaeda são unânimes em denunciar aquela que é a série televisiva de culto de Bin Ladden e do médico louco com quem costuma jogar xadrez e planear demolições: "Espaço 1999". Ao que parece, passam tardes a visionar os dois primeiros episódios.
3. Furiosa com a ineficácia do Telescópio Huble para ver a face escura da Lua, a administração Bush já mandou cortar as verbas para a respectiva manutenção.
Por conseguinte...
Somados estes dados, sopesados estes indícios, não é preciso ser-se um Einstein para orçar que caldinho tenebroso Saddam, o Original, mais os mega-terroristas, andam a cozinhar. Pois, é evidente:
Vão aplicar uma mega-explosão na Lua, de modo a retro-propulsioná-la para fora da sua órbitra natural, feita cometa louco, e lançá-la em voo picado, arrasante, sobre os Estados Unidos. Um verdadeiro meteoro terrorista e suicida!
E se dois aviõezitos já causaram aquele estardalhaço todo, nem quero pensar no que vai ser quando levarem com a Lua toda, inteira, em cima!...

segunda-feira, janeiro 26, 2004

TEORIA DAS ADMs - 2

Um leitor mais renitente aos portentos da razão e aos requintes da lógica, poderá obstar-me com a seguinte alarvidade:
-"Pois, pois, ó Dragão...Mas não nos queres dizer como é que eles, o Saddam Original e os terroristas AlQaidianos, faziam para chegarem à Lua? Não consta que disponham de naves espaciais para o efeito, ora essa!..."
E eu começaria por comentar pra com os meus botões:
-"Foda-se, é com cada anjinho que um gajo atura nesta vida!..."
E depois, num salto ágil, de pantera filosófica, esmagá-lo-ia com a contundência afiada dos seguintes argumentos:
a) "Ouve lá, nunca leste ou ouviste as poesias do Luís Delgado, o inefável tradutor português do WC Bush, Rumsfeld, Powell e todos esses sábios do nosso tempo? (foda-se, deves ter lido, porque ele escreve e declama por tudo quanto é canto!...) Pois, se leste, ouviste, etc, certamente te arrepiaste com os prodígios (todos eles horríveis) de que esse Saddam e associados são capazes!...Quem desenvolve ADMs tão medonhas, que dificuldade terá em confeccionar, alugar, comprar ou meramente roubar Naves Espaciais sofisticadas? Ãh, não me dizes?!...Atrás das ADMs vêm fatalmente as NEs, toda a gente sabe. Muitas vezes, até em conjunto com os SEs (Satélites Espiões) e as SAs (Sociedades Anónimas)...
b) As alianças e parcerias estratégicas entre Saddam, Bin Ladden, Satanás, o Anti-Cristo e o Mancha negra já não oferecem dúvidas - a não ser que comecemos a duvidar da palavra de pessoas acima de qualquer suspeita como o Capitão América ou o Rato Mickey (o que, convenhamos, nunca nos passaria sequer pela cabeça!)
c) Assim sendo, qualquer um deles, o Saddam Original ou o AlQaidianos, poderia entrar na posse de técnicas tenebrosas aprendidas com o Conde Drácula, como transformar-se em morcego, neblina ou lobisomen, sendo que na forma de neblina poderiam viajar de ida e volta à Lua em menos de nada!...
d) Todavia, ( e aqui entra em acção a lógica transcendental e a jurisprudência macrobiótica), não terá sido nem de Nave Espacial, nem por neblinobolia que chegaram à Lua...Havia um método bem mais simples e familiar: Escavaram um túnel!...
Aliás, escavaram oito túneis: o que já vinha profetizado na Bíblia, há mais de 2000 anos. Só um deles é verdadeiro e conduz à Lua. Os restantes são falsos e conduzem a nenhures, sendo guarnecidos pelos sete sósias do Saddam Original.
Quem é que tu achas que os americanos apanharam, aqui há uns dias atrás?..."

TEORIA DAS ADMs - 1

É evidente que o Saddam Hussein estava carregado de ADMs (Armas de Destruição Maciça). Nem é preciso ir perguntar ao Luís Delgado: é uma coisa que ressalta à vista a olho nu. Só que as escondeu muito bem escondidas, é óbvio. É óbvio e é tipico destes tiranos doidos, megalómanos, lunáticos. E onde é que um tirano lunático esconderia esses tesouros adorados?
Está bem de ver: se os piratas das Caraíbas corriam a enterrar as preciosas arcas em ilhas ignotas, o Saddam que é um megavilão, com meios formidáveis ao seu dispôr, socorreu-se da mais inacessível de todas as ilhas: a Lua, pois claro!
Macacos me mordam, se ele, como super-lunático que é, não enterrou as ADMs no solo lunar!... Direi mais: quase que apostava que a própra AL Qaeda, a esta hora, já se transferiu também, de armas e bagagens, do Afeganistão para lá.
Porque é que vocês acham que os Norte-Bushianos, subitamente, desataram com aquele interesse pelo sítio, ãh?!... Não me lixem: O Bush não brinca em serviço. Chamem-lhe parvo!...
Deliro? Mango c'o pagode? Então recapitulai comigo: Esses calhaus que todas as noites riscam a atmosfera, em queda lá dos éteres, chamais-lhes meteoritos? Isso é o que vos impingem os media e os cardápios das escolas: conversa pra adormecer papalvo. Racioinai, ó criaturas: Aquilo, é mais que evidente, são mas é os gajos, os terroristas e o Saddam original, com as catapultas balísticas de cruzeiro, as fisgas monumentais de longo alcance, à pedrada à nossa civilização!...
Pedrada, meu amigos...pedrada da grossa!... Quereis maior prova de que há árabes por detrás?!...

sábado, janeiro 24, 2004

QUEM QUER SER OTÁRIO - 2

O Ministério da Educação, diz o "Público" e nós acreditamos, "está balcanizado". Imaginam-se, portanto, depurações étnicas e massacres em barda. O Ministro, bósnio, não se entende com a secretária de estado da educação, croata, nem com o secretário de estado da Administração "qualquer coisa", sérvio ortodoxo. Provavelmente, a Nato vai ter que intervir.
Entretanto, fica o pormenor curioso:
A Secretária de Estado, uma tal Mariana Cascais, é aquela senhora que botou faladura na Assembleia da República para largar as seguintes pérolas:
a) A religião católica é a religião oficial do nosso país;
b) Os professores não têm ética para ministrar aulas de educação sexual nas escolas.
Fora isto, não terá feito mais nada digno de registo.
Podíamos ficar aqui umas boas horas a rir à conta destes personagens deveras pitorescos. Mas, por agora, contentamo-nos com a pergunta sacramental, do nosso concurso favorito:
"Porque é que a Mariana Cascais, embora não fazendo népia, continua a embolsar um belo salário à conta do orçamento, sem haver quem a mande (ou devolva) onde ela merece e donde nunca devia ter saído?.. (não estou a dizer que seja forçosamente a vagina da mãezinha dela, notem...)"
E as opções de resposta são:
a) Porque é uma figura de alto gabarito e prestígio cultural do nosso país.
b) Porque prestou serviços relevantes à nação.
c) Porque é considerada indispensável pelo Ministro.
d) Porque é amiga pessoal do Paulo Portas.

E já sabe, estimado leitor, se respondeu outra hipótese que não a d), triunfou mais uma vez: é um otário completo e glorioso. Acaba de ganhar um balde de aveia e uma manjedoura.
Se ainda não decidiu o que vai fazer com tão valioso prémio, permita-nos uma sugestão: vá-se esconder!... Muito bem escondido.

sexta-feira, janeiro 23, 2004

ESCÂNDALO NA CML

O presidente da CML, Santana Lopes, é alvo de várias denúncias que o envolvem num escândalo sexual de contornos ainda mais escabrosos que o da Casa Pia. O laureadao playboy e conceituado garanhão-queque está em maus lençóis.
Um verdadeiro cataclismo abateu-se sobre um dos mitos mais benquistos das leitoras da revista "Maria" e do jet-set em geral. O país está em estado de choque.
-"É mau demais para ser verdade!.." - escuta-se a cada esquina.
Mas, infelizmente, não parecem restar dúvidas: depois da pedofilia é o bestialismo.
Já se reconhecia no abuso de ovelhas o passatempo favorito dos políticos portugueses e, mesmo antes deles, dos padres ou dos fidalgos. Mas essa mania, podendo ser tecnicamente considerada bestial, era culturalmente aceitável porque essencial, protocolar, inerente ao cargo. Um político é como uma espécie de pastor moderno: sem ovelhas para abusar não poderia existir; perderia, de todo, o sentido e o norte. Além disso, as desproporções genitais entre a ovelha eleitora e o político abusador raramente são consideráveis: muitas vezes, a ovelha eleitora gosta de ser violada pelo político, considerando mesmo o acto não como uma violação, mas como uma prova inequívoca de amor e carinho. Alguns psiquiatras vanguardistas garantem que melhora até a sua auto-estima.
Agora, porém, sabe-se: Santana Lopes, o inventor do PPD-PSD, não se contentou com as ovelhas; parece que a sua especialidade eram e são, mesmo, as galinhas.
A mais mediáta dessas aves, Cinha Jardim, traumatizada e desfigurada por abusos sucessivos do político, terá mesmo recorrido a plásticas faciais profundas para reconstituição do bico. Outra vítima famosa, Lili Caneças, queixa-se de, em consequência das penetrações endemoinhadas, ter ficado com o pescoço horrivelmente enrugado e as miudezas comprimidas contra as amígdalas. "Felizmente, não mas extraíram em pequena... -confessa, angustiada-, senão acho que me tinham saltado pela boca a moela e os intestinos!..."
Entretanto, Santana Lopes refugia-se no silêncio e em túneis que manda escavar pró efeito.
Os portugueses, esses, aos poucos abrem os olhos e despertam para a crua e amarga verdade: Afinal, o playboy é um playchicken; o garanhão é apenas mais um galo doido!...

AFORISMOS DA ALTA

´"Cozinhar é um acto de amor", diz a Helena Sacadura Cabral, esse útero maléfico e tiazassa explosiva. Profundo, não é? Até nos inspira a completar:
"Pois, e comer é uma paixão e cagar, um êxtase!..."
(Deve andar agarrada às courgetes, a Leninha!...)

quinta-feira, janeiro 22, 2004

EUFÓRICO OU AFÓNICO?...

O Presidente Gorge Sampaio ficou afónico. O que começara por ser uma euforia, transformou-se, a breve trecho, numa afonia. Recordemos um breve e sintomático trecho da notícia (com que nos brinda o "Correio da Manhã"):
"No final de uma "peregrinação de optimismo" pelas empresas de sucesso da região, que teve de encurtar por ter ficado quase sem voz, Jorge Sampaio manifestou-se satisfeito com a deslocação."
Antes de tudo, há que convir: pra quem foi eleito para palrar e habitar aquele edifício do estado que fica ali pra Belém, ficar afónico é uma lesão grave. Gravíssima... O equivalente a uma rotura dos ligamentos cruzados do joelho num craque da bola.
Incapacitado para a palração, resta-lhe, pois, ir habitar o tal edifício público.
Mas essa não é a questão principal; a questão principal é: "como é que o presidente se lesionou?"
A notícia explica-o: Parece que andava numa "peregrinação de optimismo", (na expressão feliz do jornalista, para variar; aliás, a felicidade do presidente irradiava tanto que se propagou, osmoticamente, à comunicação social).
Era, portanto, um presidente eufórico em perambulação leibnitziana, ou seja: em périplo pelo melhor dos países possíveis. E onde quer que parasse, dava-lhe a inspiração peregrina e, com a fatalidade monocórdica que se lhe reconhece, lá saía peroração satisfeita, incitamento solene à parvo-alegria.
Porém, alguma fada mal disposta não terá gostado da conversa. Acho até que foi a mesma que terá armadilhado o naríz ao Pinóquio. Neste caso, com inexorabilidade idêntica, embirrou com as cordas canoras do nosso Gorge Sampaio. Resultado: Este disse tantas ou tão poucas, que ficou afónico. As cordas enrodilharam-se todas umas nas outras, num novelo impraticável. E ainda ia a meio da "peregrinação optimista", vejam lá bem!...
Em todo o caso, admito: também pode ter sido a Bruxa Má da Bela Adormecida, aquela que não suporta ver ninguém feliz. É que a felicidade do Gorge estava, realmente, a ser irritante e despropositada...
Mas, sabem que mais? Tenha sido uma ou outra, foi muito bem feito: prás banalidades inóquas que o Gorge cisma de gorgear, vale mesmo mais é estar calado!
E já que é Presidente sem República, que fique também cognominado o Gorge Sem-Pio!...umpfh!!


O PETRÓLEO DO AMANHÃ

WC Bush fez aquilo que lhe competia: leu o discurso que aqueles senhores muito inteligentes lhe deram pra ler. Isso demonstrou, pelo menos, duas coisas: que WC Bush, em concurso com um chimpanzé, consegue compensar (à tangente) com os dotes oratórios a inferior destreza manual; que Portugal pertence à categoria dos "17 países anónimos" que deram um contributo irrelevante para a "democratização" Macdonnaldiana do Iraque.
No fundo, nada disto tem que admirar: Bush limitou-se a cumprir um preceito tradicional das leis da predação - os leões não reconhecem hienas nem chacais pelo nome, mas apenas pelo número... Mas isso não desculpa a ingratidão, que diabo! Não desculpa, não senhor!
Nós, aqui, na tasca -aliás, Ciber-tasca -, queremos bradar contra esta tremenda injustíça...Que os senhores americanos se tenham esquecido de Portugal, ainda vá que não vá; agora do Pacheco Pereira, do Luís Delgado, do Vasco Rato e de todos os nossos comentadores geo-estrágicos de trazer por casa, isso não se faz!... Que torpeza, que indignidade, que patada!
Coitados, passarão a ser conhecidos como analistas platónicos: amam à distancia, delinquescem-se de paixão, suspiram enlanguescidos, mas a bem amada nem sequer sabe que eles existem. O que, reconheça-se, só os torna mais inefáveis, sublimes, se bem que patéticos.
De toda esta triste história, fica, todavia, uma pequena luz compensadora: aqueles senhores muito inteligentes que conseguem pôr o WC Bush a discursar e ser aplaudido estupidamente por todo um Senado em delírio, deduzem claramente que, se conseguem esse prodígio extraordinário, então mais fácil será colocar chimpanzés a tripular naves espaciais na conquista da Lua e de Marte. Aliás, neste momento, quase de certeza absoluta, só deve faltar mesmo é construir as naves, porque os chimpanzés já devem estar prontos e bem treinados - hordas e hordas deles!...
E nessa altura, da conquista espacial, que se adivinha para breve, a lógica favorece-nos: repúblicas das Bananas como a nossa tornar-se-ão detentoras de matéria-primas estratégicas e enriquecerão com as exportações.
Agora, enfim, compreendo o enlevo e o mimo que nos tem merecido a Pérola do Jardim. Todo o mimo é pouco. A Madeira é o nosso tesouro! As bananas são o petróleo do amanhã!...

quarta-feira, janeiro 21, 2004

QUEM QUER SER OTÁRIO

A Juíza-desembargadora Margarida Blasco foi nomeada para directora do SIS. Aqui, no Santuário de Nossa Senhora das Mordomias, queremos louvar e agradecer à Virgem mais este milagre.
Entretanto, a pergunta que o otário avulso devia fazer mas não faz, é a seguinte:
Porque é que a Juíza-desembargadora foi nomeada?
Imagine a resposta em forma de concurso televisivo (pró caso, chamemos-lhe "Quem quer ser otário?")
Então as opções são:
a) Porque é uma especialista conceituada de informações?
b) Porque tem uma larga experiência na área das informações?
c) Porque tinha um curriculum irrepreensível e uma carreira brilhante?
d) porque é amiga do Durão Barroso?


Já sabe, o estimado concorrente, tem direito a três ajudas: 50/50; público; telefonema...
Se mesmo assim escolheu outra que não a d) saiba que acaba de ganhar o chuncalho e o par de grandes orelhas: é, de facto, um grandessíssimo e escarradíssimo Otário!...

Parabéns!...

terça-feira, janeiro 20, 2004

O MISTÉRIO

Ultimamente, aqui, na tasca -aliás, Ciber-tasca-, andam a contecer coisas estranhas; fenómenos deveras bizarros. O mais recente fez-se transportar na pessoa do Caguinchas, que, todo apessoado e decidido a uma pernoita excitante, me abordou com a seguinte trignometria:
-"Ó Dragão, estou aqui um bocado hesitante...Preciso da tua opinião!... Confesso que já não percebo nada destes anúncios!..."
Os anúncios em questão referiam-se àquelas páginas eróticas, onde hordas de gente voluntariosa se disponibiliza a todo o género de serviços corporais e prazeres de aluguer.
-"Pois, pá - continuou ele-, antigamente um gajo não tinha que tirar um curso superior pra perceber o que uma puta dizia, mas agora...foda-se!, é com cada equação do terceiro degrau!..."
Abreviando; em que consistia o problema do Caguinchas? Debatia-se, nada mais nada menos, que com uma série de termos esotéricos que lhe torpedeavam a avaliação das candidatas. Dizia uma:
"Sozinha...Trintona! Oral explosivo!! Rapadinha..."
E o Caguinchas interrogava-se, perplexo: "ouve lá, isto do oral explosivo quer dizer que a gaja é árabe, ou quê?! E a raspadinha, quer dizer que no fim temos direito a um cartão da lotaria popular?!..."
Como podem ver, no fundo o que Caguinchas requeria era um tradutor de putaguês para português. Como domino o idioma, não vi inconveniente em fazer de intérprete.
-"Nada disso, ó Caguinchas. - Acalmei-o. - Eu traduzo: "oral explosivo", quer dizer que a gaja é especialista em broches; e (rapadinha) que não tem pintelhos na cona!..."
-"Não tem pintelhos na cona?!! - Alarmou-se o Caguinchas. -"então tem-nos aonde: Debaixo dos sovacos?!...
-"Não pá. -esclareci-o. -Significa que rapou a pintelheira! Enfim, americanices!..."
-"Rapou a pintelheira?!! - Continuou a alarmar-se o Caguinchas. - Mas também há barbearias de conas?!...E agora, como é qu'um gajo distingue o buraco da cona do buraco do cu?..."
Enigma transcendental, de facto. O Caguinchas achava tudo aquilo muito suspeito. O caso não era para menos. Chumbou a candidata e passámos à seguinte, que arauteava desta maneira:
"Promoção Inverno. Lisboa...marisa...Loiraça, insaciável...Corpinho violão...beijinhos...natural...BotaozinhoRosa...Bumbum furacão...Oral natural...Alucinante!! Sem borrachinha...3ª oportunidade! Até rebentar!!"
O Caguinchas, pasmado, estava convertido num autêntico boi a olhar pra um palácio; e até eu, putanheiro moderno e encartado, com pós-graduações várias e cursos de actualização permanentes, dei comigo às aranhas para interpretar tal palimpsesto.
Entretanto, enquanto eu relia o aforismo abstruso, o Caguinchas, como é seu estilo, disparava comentários a torto e a direito, cada qual mais brilhante que o anterior:
-"Loiraça insaciável?, isso quer dizer que a gaja deve ser uma alarve! mas se julga que eu lhe pago o jantar..."
-"Não, ó Caguinchas. - Meteu-se na conversa, o Dinossauro - Isso quer dizer é que a gaja te come todo!..."
-"Foda-se! - Trovejou o caguinchas, visivelmente indignado. - mas que merda vem a ser esta? Atão um gajo é que paga e a puta é que come?...Mas que putas vêm a ser estas?...Eu quero comer uma puta, caralho!... Um puta normal, com cona e pintelhos à volta da cona!...Como, limpo a piça, e pago! É assim. Foi assim que o meu pai me ensinou!...Isso de putas insaciáveis devem ser mas é putas canibais!..."
Mas o pior ainda estava pra vir. Uma aragem de sacanice começou a insinuar-se pela sala e tanto eu como o Dinossauro trocámos olhares furtivos de conluio avacalhador.
-"Pois, -intervi eu, disposto a conduzir o Caguinchas a novos abismos de desespero -, e não sei se estás a ver o que é isto do "BotaozinhoRosa"..."
-"Rosas?! - exclamou, o Caguinchas. - Não me digas que agora também temos que oferecer flores às putas, ou então que a gaja é socialista!...Foda-se, eu só quero mudar o óleo, não lhe quero pedir namoro, nem discutir política!..."
-"Nada disso. - Volvi, munido de toda a sacanice de que era capaz e antegozando já o efeito do que se seguiria. - Isto significa que a gaja te lambe o olho do cu e te enraba com a língua e tudo!..."
A cara que o Caguinchas fez, só vista. Parecia que os olhos lhe iam saltar pelo nariz abaixo, como nos bonecos de desenhos animados.
-"Como?!!! Foda-se!, mas isso é puta pra homens ou pra panascas?!! - Bramou, escandalizado e ofendido.
-"Mas pensa nas contrapartidas... -Manobrou, o Dinossauro, pela outra banda. - "Bumbum furacão, oral natural, alucinante, sem borrachinha, ãh, um luxo!..."
- "Sim, -reforcei eu, - não te esqueças que se trata duma promoção de inverno!..."
Mas o Caguinchas estava-se pouco marimbando prás promoções, saldos ou rebaixas todas que houvessem. Aquilo cheirava-lhe mas era, a léguas a uma liquidação geral: a dele.
-"Bumbum furacão"? - Arrepiou-se todo, antevendo já horrores atrás de horrores. - Isso, quase que aposto que quer dizer que a gaja dá peidos ciclónicos, não?!..."
-"Não. -Tranquilizei-o. - Isso apenas quer dizer que lhe podes papar a bilha. E mais: até te faz broches sem camisa!..."
-"Mas vocês julgam que eu sou maluco e analfabeto, ou quê?! - Atroou, qual Krakatoa, num arremedo altivo, de macho brioso. - Ainda sei ler, cum caralho!... Insaciável, furacão, alucinante, oral natural, até rebentar...foda-se, 'tá bem de ver que a gaja é mas é uma puta antropófaga, devoradora de otários!... e qual camisa qual carapuça!...Foda-se, eu, é que nem dentro duma armadura lhe confiava a piça!...E sabem que mais? É diante de putas destas, que um gajo proclama: "abençoada a punheta!"...
E não disse mais nada. Bazou porta fora, furibundo, à procura duma revista pornográfica, presumimos.
Ficámos, eu e o Dinossauro, a olhar um pró outro, meditabundos. Em tudo aquilo, havia um detalhe que nos intrigava: "3ª oportunidade!!" Que raio significaria aquilo? Um verdadeiro mistério...
Mistério que até à data não conseguimos decifrar.

DRAGÃO NA PRESIDÊNCIA

Como dizia a canção do Chico Buarque, “agora eu era o herói, e o meu cavalo já falava inglês”. Pois, e a primeira coisa que eu fazia era dar um tiro no cabrão do cavalo que era pra não armar em esperto ou anglófono (o que vai dar ao mesmo). Abatido o solípede poliglota, imaginem que eu era também Presidente da República. Portuguesa, pra não forçar muito a imaginação.
Pois muito bem...agora eu, Dragão, era o Presidente da República...
Cá estou eu, todo repimpado, na minha cadeira plenipotenciária, a mirar o mapa na parede e a coçar os tomates. Qual é a primeira coisa que faço?...Não tem nada que saber: Vou convocar o Primeiro Ministro e a ministra das Finanças. De emergência, já, imediatamente, a galope nos mercedes pretos, com as sirenes a romperem caminho. Uma telefonadela e já está!...
Não demora nada... Já os oiço. As portas batem...Ouvem-se passos apressados, nervosos. Esboço o meu sorriso maquiavélico nº 3.
Agora um pormenor essencial: vou fazê-los secar duas horas que é pra verem quem manda. Antes, já mandei retirar toda a espécie de revistas ou jornais da sala de espera. Quero que experimentem o chamado síndrome do dentista, mas sem paliativos de qualquer espécie.
Eis-me, portanto, a tamborilar os dedos e a escrever cartas anónimas ao procurador geral da República, onde enfatizo as pernoitas da esposa com gente de aluguer. E uma paixão avassaladora pela criada. Aproveito pra escrever também aos juízes do Supremo, aos directores dos jornais e ao presidente Bush a insultá-lo (esta, porém, assino como Bin Laden). O tempo arrasta-se. Até que as duas horas, a custo, lá se esgotam.
Lá vem o PM e a acólita. A bruxa da acólita, devo acrescentar, o que ainda mais me enfurece. Não poder imaginá-la de cinto de ligas sem que isso me cause náuseas e vómitos, confesso que me irrita. Estou com ar de poucos amigos e nem me levanto quando entram. Prescindo do protocolo, cago deveras na etiqueta e ordeno que se sentem sem mais delongas. Vamos lá fazer o balanço da “governação”..."Olha lá, ó badameco, explica-me aqui uma coisinhas!...", irrompo, qual avalanche justiceira.
Começa o interrogatório em forma:
-“O Défice baixou?”, pergunto.
-“Na verdade manteve-se.”, responde ele.
-“O investimento?...”, interrogo.
-“ Diminuiu...” – murmura.
- “O Desemprego?”, inquiro.
-“ Disparou em flecha!”, confessa.
-“ A produção?”
- “Caíu...”
- “ As falências?”...
- “ Multiplicaram-se...”
- “A criminalidade?...”
- “Aumentou!...”
- “O património do Estado?”
- “Já está quase todo alienado:::”
- “A política externa e a imagem do país no exterior?”
- “Uma desgraça: maltrapilhos, pedófilos, prostitutos!...”
-“ As instituições?...”
-“À beira do colapso...”
-“ A educação e a investigação científica?...”
-“ De rastos...”
-“ O nepotismo e a corrupção?
-“Na mesma, senão pior!...”
Nesta altura suspiro. Não vale a pena continuar. É demasiado penoso.
Agora eu, Dragão, Presidente da República imaginário do vosso país quase imaginário, pergunto-vos: No meu lugar o que é que dírieis a um c***** dum primeiro ministro destes?
Pois eu digo-vos o que é que eu, no meu lugar, dizia a um c***** dum primeiro ministro destes: Nada. Nicles. Patavina.
Chamava era o oficial às ordens, aquele soldadinho com ar de músico filarmónico que pr’ali ciranda feito mainate, e dizia-lhe: "Ó coiso, ó bombeiro, traga-me o meu cavalo marinho e mande entrar a imprensa!"
Depois, em directo prá nação, no horário nobre, calma e pausadamente, fazia um belo e esclarecedor discurso, com o cavalo marinho, em cima dos costados governamentais. Era malhar nos dois estafermos até que me viessem as cãibras. Havieis de ver se a depressão, a crise, ou lá o que é, no dia seguinte, não tinha desaparecido!... Havieis de ver se o povo não ficava todo alegre e de grimpa levantada!...
Isto, meus amigos, o que faz falta não são receitas de propaganda nem demagogias da trêta: o que é preciso é saber falar ao coração das pessoas!...

PS: Já perceberam agora que, tivesse eu pachorra, e o útil que não seria elegerem-me, ó otários?!...

A HELENA QUE DEVIA TER ABORTADO E NÃO ABORTOU

A Helena, mãe do Paulo e presumo que descendente do aviador, escreveu um livro de culinária. Ora, aí está um livro que lhe fica muito bem. Calculo que não morra sem escrever também um sobre bordados. Mas se julgam que a Tia Helena se fica pelas cozinhas, desenganem-se e desiludam-se. Na entrevista ao "Correio da Manhã", a certa altura, pode mesmo ler-se:
"Tarefa difícil para quem dá aulas na universidade, trabalha na rádio, escreve crónicas para várias publicações, vai lançar outro livro em Março e prepara-se para fazer qualquer coisa em televisão."
É isso mesmo. Estamos perante uma mulher dinâmica, turbo-alimentada. Dá aulas na universidade, trabalha na rádio, escreve crónicas, lança livros e prepara-se para tomar de assalto a televisão. Mas o forte dela, sem dúvida, é a culinária: digam lá se não é excelente a pilotar fogões e, sobretudo, tachos?!...

Neste país, se formos ver bem, não há falta de emprego: há é açambarcamento, foda-se!...

segunda-feira, janeiro 19, 2004

A REFORMA DO ENSINO

Eu pergunto-vos: "que raio de porcarias, que ror de inutilidades e matérias desnecessárias, andam a ensinar nas escolas e universidades deste país?..." A quantidade exacta ninguém sabe, mas o resultado está bem à vista: 40.000 licenciados no desemprego, fora os que andam a monte ou se esconderam em casa, com depressões, envergonhados. E também os que trabalham de chofer de táxi, de caixa de hipermermado, de portageiro ou a dar serventia a trolhas gozões. Pois, uma catástrofe social... e de quem é a culpa?... A culpa, toda a gente sabe, é da falta de preparação para a vida profissional, da inadequação gritante dos curriculos às necessidades laborais e, sobretudo, aos hábitos e critérios empregadores do mercado. Ora, este, o bendito mercado, está cada vez mais esquisito e exigente; arreiga-se encanzinadamente às suas prorrogativas e ninguém o faz arredar pé.
Assim sendo, está mais do que na hora de dizer aquilo que toda a gente pensa mas ninguém diz. E, ao mesmo tempo, iluminar duma vez por todas certas cavalgaduras burocráticas que prometem reformas, mas não mexem uma palha e, ano após ano, deixam tudo na mesma.
Pois bem, esta reestruturação curricular que apresentarei de seguida, é infalível, panaceia garantida, e aplica-se universalmente a todo e qualquer curso, seja de letras ou ciências. Introduzam-se as cadeiras que passo a referir, conforme o ano que sugiro, e vereis se não é remédio santo.

1ªAno - Subserviência.
Sem conhecimentos avançados desta disciplina, como é que alguém pode singrar na vida profissional ou almejar a uma carreira de sucesso neste país?!... Impossível, digo-vos eu e sabeis vós melhor que ninguém. Quem não subserve não sobrevive. Se este instrumento mediador supremo,todo e qualquer conceito, técnica ou conhecimento torna-se estéril, inútil. Um tipo é barra em medicina, direito ou arquitectura, mas não tem as noções básicas de subserviência... pra que lhe serve o curso? - pra nada; contempla o diploma e morre de fome.

2º Ano - Bajulação e Graxismo.
Uma vez instruído na "subserviência", o futuro quadro precisa de fórmulas elaboradas para a aplicação da mesma. É aqui que surge a "bajulação e graxismo". Saber bajular e dar graxa ao chefe é fundamental para o aspirante a bons salários e regalias sociais. A capacidade técnica, a competência profissional, sem um bom domínio da "bajulação e graxismo", além de se tornarem inóquas, devêm absolutamente contraproducentes e prejudiciais ao proprietário. Pior que não saber bajular o chefe só há uma coisa: não saber bajulá-lo e ser competente. Invariavelmente, o chefe, a qualquer nível na escala hierárquica, tomará isso como uma ofensa pessoal e ameaça velada ao seu ganha pão e marisco.

3ºAno - Insectomorfismo e Ética.
Dominadas as artes da subserviência e da bajulação, aquele que aspira a altos cargos, sobretudo na administração pública, tem que adquirir uma perfeita moral camaleónica e um estômago à prova de bala. Um adestramento exaustivo na habilidade de se transformar em insecto, de preferência rastejante, torna-se, então, necessário. Esta aptidão tem que devir segunda natureza, avatar sempre pronto a ser exibido. É certo e sabido que, a todo o momento -às vezes, mesmo quando menos se espera -, na vida profissional portuguesa, surgem bruscas mas imperiosas requisições deste desempenho. Nada como o indivíduo estar preparado.

4ºAno - Macaquice transcendental
Na vida adulta e, sobremaneira, na carreira profissional, cá do burgo, ser é ser macaco. O "ser macaco" engloba e sintetisa, numa espécie de concentrado vitamínico, vários princípios de acção fundamentais ao percurso do futuro quadro. A saber: o princípio da imitação (de superlativa importância), o princípio da velhaquice (não menos importante), o princípio do oportunismo (idem, idem) e o princípio da etiqueta e protocolo (o mais transcendente e esotérico de todos). A rapidez na imitação, a predisposição à velhacaria, o sentido oportunista e a perícia no protocolo constituem as metas de todos os finalistas.

Ultrapassado o 4º Ano, eis que se inicia o Estágio. Este será integralmente passado em testes e aulas práticas no Simulador de Trabalho. A razão é simples:
Sendo o verbo "fazer" inconjugável per si no nosso país, onde só aparece transmudado em "fazer de conta" ou "fazer que faz", era mais que evidente que não fazia qualquer sentido mandar os recém-licenciados e candidatos a futuras mordomias estagiarem em locais efectivos de trabalho, dignos apenas de gente desclassificada e analfabeta (como fábricas, empresas transformadoras, centros agro-pecuários, etc). Consciente desse erro tradicional, o meu plano propõe, outrossim, que eles estagiem em "locais virtuais" de trabalho, semelhantes àqueles que ocuparão no futuro. É pra isso que serve o Simulador.
Assim, da mesma maneira que um governante actual "faz que governa", mas não governa; ou um director geral "faz que dirige", mas não dirige; ou um deputado "faz que representa" mas não representa; também o futuro governante, director, deputado, etc, tem que aprender esses primores técnicos do "faz que faz mas não faz " e "faz de conta mas não é", enfim, as múltiplas manhas e ardis da simulação laboral. Onde pontifica sobretudo, como requinte mor, o desembaraço na ocupação simultânea de vários cargos e a invisiblidade durante grande parte do mês.
A excepção singela a esta regra do "faz que faz" (e como toda a regra tem que ter a sua excepção) reside estritamente no "sacar" (salários, subsídios, mordomias, etc). Aí, nem os actuais, nem os futuros, "fazem que sacam"...Não, aí, sem dó nem saciedade, escrúpulos ou hesitações, não "fazem que sacam": sacam mesmo!...

PS: Repito e sublinho: quanto às outras disciplinas de cada curso, pouco interessam; bem como a sua aprendizagem ou aproveitamento. Agora estas, que acabo de referir, são nucleares e de transcendente importância.

DISTRAÇÃO FATAL

Aqui, no santuário de Nossa Senhora das Mordomias, todos os dias temos que celebrar e recordar o milagre da multiplicação dos tachos. Ou de como numa alimária exangue ainda tantos parasitas se empaturram.
Hoje, foi a vez do Caguinhas acender uma velinha e salmodiar a oração. Todos dissémos ámen no fim, salvo o Dinossauro que ao ámen acrescentou um traque. Agradados com o efeito, fomos unânimes em considerar que, de futuro, os ámens deverão ser reforçados e guarnecidos com traques. Ou arrotos, caso o traquetofone não funcione.
Entretanto, o Caguinchas, inebriado com a prédica, quis exercer também o comentário, já que ao fundo, a TVI em notícia, o convocava ao efeito:
-"Foda-se, já mete nojo esta merda dos meninos enrabados e dos enrabadores de meninos!...mas será que não se passa mais nada neste cabrão deste país?..."
-"Então não passa , ó Caguinchas!... - Desgargalou o Dinossauro -E na essência até é um fenómeno deveras curioso: enquanto o país se distrai a discutir os meninos enrabados e os enrabadores de meninos, alguém aproveita pra enrabar, bem enrabado, o país!..."
-"Distração fatal." - Murmurei, entredentes.

O MANIFESTO DA LIGA DOS SUPER-DUROS

A LSDMEMVE (Liga dos Super-Duros, Marialvas Encartados e Machos em vias de extinção), pediu-me para publicar o seguinte manifesto:

Ser mesmo maricas é:

1. Ir à Internet ou aproximar-se sequer dum computador. Um homem não sabe o que isso é. Macho que se preze senta-se na explanada do café ou encosta-se na ombreira da tasca a galar a peida às gajas ou a mandar-lhes piropos alarves e bocas foleiras.

2. Pedir, seja o que fôr. Macho não pede: berra, exige na hora, em passo de corrida, ameaçando dar bafos!

3. Chegar aos trinta anos e não ter sido nunca preso, multado ou despedido, por violência conjugal, violação de secretárias, enfermeiras ou professoras, embriaguez ao volante ou assédio sexual no emprego.

4. Saber o que são cornetos ou merdas dessas. Um homem não chupa: alarva, pasta, chafurda, acompanhando com arrotos e salvas de peidos no fim.

5. Ter gatos, cães, piriquitos, canários, ou quaisquers outras bestas que não sejam as vacas das mães dos filhos para lhe foderem o juízo.

6. Ir (ou não ir) à caça ou à pesca de outra coisa que não sejam putas.

7. Ter endereço de correio conhecido ou dormir mais que 10 dias por mês em casa.

8. Já disse que macho não pede. Mesmo o café tem que vir embrulhado num bagaço forte. Seja a que hora fôr e, sobretudo, na alvorada. Cabrão que beba leite não engana: é picolho puro!

9. Deixar que uma gaja lhe esprema as borbulhas, aliás que o esprema, seja de que maneira fôr. Quem espreme é um gajo; quem espreme e quem monta. Elas só chupam, abocanham, aguentam. Homem não vai ao médico, nem toma banho e não se deita com ninguém, porque gosta é de dormir sózinho, com a navalha aberta debaixo da almofada; e pra foder, jamais deitado: prefere à canzana, de pé contra a parede, ou tipo sexo violento, a partir a casa toda à gaja! Quem nunca se veio em cima de cacos de bibelôs, não sabe o que é ser homem!...

10. Macho não entra em pastelaria. Só frequenta tascas e casas de alterne, mas nunca como cliente otário: apenas como empresário ou protector das garinas. Em casos muito especiais digna-se entrar na merda dum restaurante, mas apenas para chocar os frequentadores, com toda a espécie de javardices: sorver a sopa, rilhar o entrecosto, comer com as mãos, cuspir pró chão, escarafunchar o nariz e a seguir as orelhas, coçar os tomates, etc, etc. Ou assaltar a caixa.

11. Pescar é útil, como subterfúgio. Serve de desculpa e alibi para as noites passadas na casa de alterne. É essencial sair de casa com o equipamento, de modo a não ter que levar pró resto do mês com os remoques irritantes da cabra da mulher.

12. O homem a sério, já disse, não suporta qualquer tipo de bicho. Tendo nascido para "matar o bicho", ser-lhe-ia insuportável o contrário.

13. Saber ler e escrever é indício inequívoco de paneleirice. Mesmo na sopa, o homem viril não suporta letrinhas. vagamente - e por interesse exclusivo na técnicas de regateio com putas -, domina os rudimentos da aritmética e sabe contar - mas apenas pelos dedos. Gajo que saque da máquina de calcular ou se ponha a fazer contas de cabeça, é panasca.

14. Homem a sério não conduz com as mãos: conduz com os pés e só conhece dois pedais - o acelarador e a embraiagem! As mãos servem, isso sim, uma pra operar o telemóvel (a marcar consultas com massagistas) e outra para apalpar e devassar o entrepernas da garina que vai ao lado.

15. Homem que passeia cão é larilas. O verdadeiro macho é aquele que afiambra pontapés nos cães que os outros passeiam, arranjando assim motivo para, a seguir, afiambrar também patadas nos donos.

16. Gostar seja lá de que música for é paneleirice. O gajo a sério só gosta mesmo é de ouvir o relato, o barulho dos desastres na rua e as suas próprias javardices declamadas durante a foda.

17. Combinar encontros com homens?!!...Foda-se! O único encontro com outro homem possível é de emboscada e pra lhe encher o cabaz e rebentar co'a boca toda!...

18. Dormir numa cama. Homem que se preze dorme no sofá; na cadeira da tasca com os cornos em cima da mesa, de borco sobre as cascas de tremoços; no banco do carro, depois de enrabar a gaja; ou na valeta, embrulhado no vomitado, porque já não há pachorra pra chegar a casa.

19. Homem não usa calçadeira, nem preservativo, e muito menos vazelina! Enraba a seco e fode sem preliminares. O prazer principal da foda não é a facilidade: é o obstáculo!...O único favor que concede é de ordem excêntrica e consiste em cuspir na cabeça da pichota!

20. Entrar em restaurantes chineses. A não ser depois de bem bebido, com um grupo de amigos, e com intuitos exclusivamente vandalizantes.

21. Shampôo?... O que é essa merda?!!!...

22. Ter outro veículo que não um Land-Rover, todo cagado e amolgado, a tossir fumo de escape pra cima dos filhos da puta dos peões!...Mas um Land-Rover dos velhos, daqueles que dão grunhidos na caixa e roncam pa caralhos! Especialmente, pode andar noutros carros, desde que sejam emprestados, e para os foder todos!

23. Não fumar Mata-ratos, Definitivos, Gitanes ou gauloises sem filtro: é panasca!

24. Homem não paga: Leva, tira, confisca. Quando muito, se estiver bem disposto, manda pôr na conta.

25. Homem que se preze tem cornos e mete cornos.

AVISO: O teor da mensagem que acabámos de emitir é da exclusiva responsabilidade dos utilizadores do tempo de antena.

FC.Realidade - 3 SL.Ficção - 0

O sucesso não perdoa. Em Portugal, então, torna-se rapidamente um rastilho para reacções em cadeia. Atrás das universitárias já foram os universitátios; dentro em breve, atrás dos alunos hão-de vir os professores. Hão-de vir?, que digo eu, já lá estão!
Confiram no "Correio da Manhã", de hoje (passe a publicidade):
"Caparica...27a...Professora Universitária. Prazeres." ou, mais adiante "1.ª vez mesmo...Professora...loira...seios 44."
E eu a pensar que era rápido de ideias...
Chiça!, nos dias que correm, quando a ficção lá chega, já a realidade passou há muito tempo!...
Antigamente, quando um gajo se queria arrepiar todo, espantar ou estarrecer, comprava livros de terror ou ficção científica. Agora basta comprar o jornal. E a sensação é muito mais genuína e arrebatadora: um gajo percebe que está dentro da história, à deriva pelo enredo. Vivesse o Julio Verne neste nosso tempo e certamente que se refugiaria no campo, a cavar batatas: em literatura fantástica, qualquer pasquinzito lhe levaria a palma. E nem era preciso irmos às páginas dos consagrados; bastava abrirmos nas páginas dos anúncios.

SEGUIR O CHERNE

A senhora bem declamou, sibilina, em tons proféticos:
"Sigamos o cherne, minha amiga" (e lá viemos atrás dele...)
"desçamos ao fundo..."(já não deve faltar muito...)
Afinal, o cherne é um peixe vertiginoso. Devíamos andar mais atentos. Quem nos avisa, nossa amiga é. Não obstante, num país de otários e otárias, impossível não ir atrás do peixe: o cherne ou o primeiro carapau de corridas que aparecer. Ainda por cima se o carapau vier de Jaguar...

sábado, janeiro 17, 2004

O DURÃO DOS BOSQUES

Vale mais tarde que nunca. Os ingleses já andavam há mais de quatro séculos a vangloriar-se que tinham um Robin dos Bosques e nós não. Irra, que já metia nojo!...Ainda esboçavamos timidamente com o Zé do Telhado, mas só pra sermos alvo de chacota e ridicularia.
Mas agora acabou-se! Ah-Ah, agora é a nossa vez de os rebaixarmos a eles.
Finalmente, a História teve piedade de nós. E tudo graças ao Durão dos Bosques, o paladino do défice de Lusowood, mais a sua Lady Manuela e o Frei Paulo (não esquecendo o Marques Pequeno, aliás, Anão). Nos seus fatos cor-de-laranja, crepusculares, não dão tréguas aos maltrapilhos, assalariados e pobretanas quejandos que infestam este país.
E as vantagens, as superlativas mais-valias que o nosso - actual, liberal, em exercício -, não ostenta sobre o deles - caquético, duvidoso, comunista!... Roubar aos ricos para dar aos pobres, é fácil, é como ir buscar água ao mar. Agora, esmifrar os pobres para dar aos ricos, isso é arte, meus senhores, prodígio equiparável ao milagre das rosas. Isso é conseguir espremer o deserto, extrair sumo das pedras mais estéreis e cristalizadas!...E nisso, meus amigos, o nosso Durão dos Bosques, mais a sua Lady Manuela, ficarão para a posteridade como paradigmas lendários. Os ingleses que se roam todos e que engulam, agora, a sua arrogância e jactância de séculos. Deus não dorme. Bem hajas tu, ó História Universal, que, finalmente, tiveste dó deste povo antigo. Ao menos tu, cara amiga, porque eles, o Durão e a Manuela, paladinos compenetrados, dó é sentimento que não conhecem, benza-os Deus!...

sexta-feira, janeiro 16, 2004

TODA A GENTE PRECISA...

Organizámos uma votação aqui na tasca -aliás, Ciber-tasca-, para eleger aquela que seria a "Oração Diária à Nossa Senhora das Mordomias". A mesma que qualquer cidadão peregrino, crente, acólito ou mero requerente de milagres, deve rezar, salmodiar ou recitar em promoção própria ou de familiares necessitados, perante a divindade. Depois de várias propostas, análises e debates, optámos pela que se segue (retirada duma das faixas dum album famoso, chamado "Kabaquistan")...
Deve ser precedida de benzedura, gargarejo e pigarreação...E diz-se assim:

Tu sabes, toda a gente precisa
Dum ídolo venal
dum ego universal
de motores rolls-royce
duma terceira chance
de aviões supersónicos
de orgasmos sinfónicos
de whisky puro malte
de louras num iate
de rubis e diamentes
de peles para as amantes
de contas na Suiça
duma alma postiça...
Não, não és só tu, mais a tua malta
os únicos a quem tudo isso faz falta
não, nota bem, faz imensa falta!
Por isso interioriza: Toda a gente precisa...
De férias nas Bahamas
de orgias romanas
de lutos nacionais
de gozos animais
de noites animadas
de boas auto-estradas
seringas esterilizadas
de coca ao domicílio
de ouro pró exílio
de órgãos suplentes
de clínicas excelentes
de mansões com piscina
de discos de platina
de ar condicionado
de bifes de veado
de tronos absolutos
de caviar e charutos...
Não, não és só tu, mais a tua malta
os únicos a quem tudo isso faz falta
não, nota bem, faz imensa falta!
Por isso interioriza: Toda a gente precisa...
De sonhos cor-de -rosa
de nóbeis pela prosa
de filhos doutorados
de dados viciados
de taças e medalhas
dum ror de outras tralhas
de jantares de homenagem
de assessores de imagem
de viagens pagas
de vidas desafogadas
de amigos mafiosos
de negócios rentosos
de direitos exclusivos
de deveres diluídos
Não, não és só tu, mais a tua malta
os únicos a quem tudo isso faz falta,
Sim, nota bem: faz imensa falta!
Por isso interioriza: toda a gente precisa.

Amen.

NOSSA SENHORA DAS MORDOMIAS

Convém não deixar cair no esquecimento a obra de caridade pós-natalícia que o governo da nossa República fez ontem: triplicou os salários dos gestores de hospitais públicos, aumentou-lhes os plafonds dos cartões de crédito e autorizou que comprassem viaturas duas vezes mais caras (as quais, passados três anos, os coitados dos gestores carenciados podem privatizar por 20% do preço); isto e outras esmolas menores que seria fastidioso enumerar.
Um tal acto de beneficiência -direi mais: de inaudita filantropia -, não só não merece esquecimento, como, estou capaz de jurar, merece ser recordado por tempos imorredouros, na forma duma capela, monumento assinalativo ou santuário. Esta última hipótese até me parece a mais condigna. Não só a mim como a todos aqui na tasca - aliás, Ciber-tasca. Tanto assim é que até já temos nome para o sacro e bendito recinto: Nossa Senhora das Mordomias.
Virão peregrinos de todas as partes, descalços e esfarrapados, mas fervorosos na sua fé e louvaminhantes deste milagre que todos testemunhámos e, a cada dia que passa, mais e mais, se perpetua: de como São Durão e Santa Manuela conseguem transformar os tostõezitos furados de hordas de desgraçados em tesouros sem fundo para nababos eleitos!...
Ao pé deles, taumaturgos insuperáveis, até o pobre Jesus, Deus me perdoe, empalidece e passa vergonha com a sua obsoleta multiplicação dos pães.
Fátima que se cuide...

quinta-feira, janeiro 15, 2004

UM FUTURO PROMISSOR

Parece que as jovens universitárias portuguesas descobriram na prostituição uma fonte alternativa (quer dizer, essencial) de rendimentos. Estimulados pelo seu êxito no negócio, também os jovens universitários lhes seguem as pegadas. É a corrida ao ouro.
Degradante? Ignóbil? Nada disso. Se pensarmos que é das universidades que sai o grosso dos políticos deste país, tudo se pacifica e harmoniza na nossa mente. Afinal, isto, em vez de imoralidade gritante, só pode é significar progresso: os jovens de hoje, numa genuína manifestação de precocidade e engenho, aproveitam o tempo académico para enriquecimento do curriculum, ou por outras palavras, conseguem conciliar no mesmo pacote a preparação escolar e o estágio profissional. Um grau mais elevado de responsabilidade, iniciativa empresarial e cidadania seria difícil.
O país pode, pois, dormir descansado: com tal nível de especialização e adestramento, a classe política do futuro só pode vir a ser ainda mais excelente que a actual. E os políticos do presente podem congratular-se: todo o seu esforço e exemplo não caíram em saco roto, nem foram, como tantas e tristes vezes sucede, em vão.
Nunca é demais, gente formada e competente que vele por nós. Deus os abençoe a todos!...

quarta-feira, janeiro 14, 2004

RÁDIO VULVA FM

Em colaboração com a Antena Vampiro TSF, apresentamos hoje o nosso...

NOTICIÁRIO DA MEIA-NOITE

- O concelho de Ministros decretou a privatização do Cemitério da Ajuda. À beira do despejo, os moradores realizaram uma manifestação defronte da residência do Primeiro Ministro, em S.Bento.
A nossa reportagem esteve lá e ouviu-os:
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- Um homem que atravessou a nado o Oceano Atlântico, no sentido França-Estados Unidos, foi cobardemente espancado, à sua chegada a S.Francisco por uma multidão, ululante, imensa.

- Apunhalado pelo padre de casamento, morreu esta manhã, no Hospital Curro cabral, o recém-casado Luís Cornos de Avelã, que assim aumenta para 3.332 o número de vítimas do referido padre.

- Na estação ferroviária de Belém, A Dona Eustácia Lanzudo de Pederneira Antunes atirou a sua filha, de 2 anos, para a linha do comboio, no preciso momento em que passava o rápido Cais do Sodré-Cascais. Inquirida pela nossa reportagem, a referida senhora confessou que terá atirado a criança por estar indignada com a dupla contrariedade do comboio vir fora de horas e não parar na estação. Não tendo outro objecto à mão, atirou-lhe com a filha.

- O senhor Raspas de Alicate matou-se ontem, em sua casa, com uma televisão. O corpo só foi descoberto esta madrugada, quando a esposa do malogrado senhor levou um tiro na cabeça.

- O elevador assassino continua a monte. A polícia prossegue as buscas. Rumores apontam-no como estando escondido, algures, entre o quinto e o sexto andar.

- A srª Chungosa de Alcafobrás Lamas comeu o marido. Segundo apurámos junto dos vizinhos, a mesma comeu o cônjuge porque tinha fome.

- Durante a sua recente visita ao Jardim Zoológico, o governo atirou-se para dentro do fosso dos jacarés e devorou os infelizes animais.

- Devido à greve dos toiros, o famoso matador Panchito Meireles matou-se a ele próprio, para grande gáudio dos aficcionados que enchiam o Campo pequeno. Uma orelha e o rabo foram oferecidos à Cãmara municipal; tendo a restante sido leiloada na Santa Casa da Misericórdia.

- Esta noite, às 21 horas, no restaurante "Pocilga de Alcântara", o dono e chef do referido estabelecimento vai tentar bater o recorde mundial do envenenamento de clientes. pede-se, pois, a presença de clientes naquele restaurante.

- Em Adelaide - Canadá, um homem que se julgava mulher deu à luz três gorilas.

- A família Rançoso Lara comemora hoje o falecimento do seu décimo nono filho. A Antena Vampiro TSF, envia daqui os sinceros parabéns.

- EM Dallas, Texas, Jonh Traficarro entrou para o Guiness, como o homem mais resistente de sempre. Conseguiu perfazer 4.000 quilómetros até morrer de cansaço.

Boa noite.

O REGRESSO ÀS ORIGENS

Fiquem sabendo que hoje, ainda mal eu tinha entrado na tasca -aliás, Ciber-tasca -, e já o Caguinchas, de emboscada, em esfíngico aleive, me atacava com o seguinte enigma:
-"Ouvistes esta, ó Dragão? O Bush disse agora mesmo no telejornal que o grande projecto americano é a colonização de Marte!..."
-" Acredito que sim, ó Caguinchas. - respondi-lhe. - E já estou mesmo a vê-los, concluída a obra, a descerrarem a placa comemorativa: Home sweet home!...
Como ele não sabe inglês, tive que traduzir:
-"Quer dizer, "lar doce lar"!"...
Ficou a pensar. Mas até ele já anda desconfiado...

A LEI DO GATILHO

A taxa de suicídio no exército americano, em consequência da guerra no Iraque triplicou. São os próprios psiquiatras e psicólogos desse mesmo exército que o revelam. Mas não era preciso darem-se ao trabalho. Nós já calculávamos. Bastava ler as notícias que, diariamente, os media ocidentais publicam. Nenhum helicóptero é abatido: todos caem; as forças americanas, dum modo geral, ferem-se ou matam-se sozinhas. Isso só pode ter uma explicação: Entediados com a rotina, alucinados pelos enigmas do deserto, os bravos americanos entram numa espécie de transe belopata e suicidam-se. À falta de inimigos de jeito, atiram nos colegas ou aliados mais à mão. Afinal, estão numa guerra: é suposto matar e morrer. Faz sentido. Outra forma seria mesmo impensável: o único adversário à altura de Rambo é ele próprio. A propaganda tem regras.
De resto, é toda uma máquina perfeita e oleada, prisioneira dos seus próprios tiques e automatismos. Na conversão obsessiva ao gatilho, perde-se, muitas vezes, de vista o cano e o aparelho de pontaria.
Não surpreende pois que, chegados de licença, a Fort Briggs, vários rangeres continuem a disparar: agora sobre si próprios e respectivas. É a força do hábito. É compulsão (ou impotência) adquirida.
Disparar ou bombardear, no fundo, são sinónimos. Para os americanos, já sabemos como isso é essencial, espelho da existência. Sobre míudos na escola, sobre árabes no deserto, sobre as mulheres em casa, tanto faz. É a disparar que eles se entendem.
A eles próprios.

Telemóveis e geradores

O senhor com nome de pato e funções de secretário de estado, escreveu, num memorando para a Casa Branca, que é urgente atirar bombas à Síria. Agenda é agenda. Quanto aos motivos isso é irrelevante, mas, em todo o caso, "Rumsfeld assegura que os terroristas, entre os quais se inclui os membros do movimento xiita Hezbolá, «continuam a cruzar a fronteira desde a Síria ao Iraque» para contactar com os combatentes xiitas que combatem contra as forças dos Estados Unidos. Estas «organizações terroristas» continuam a «operar na Síria, e inclusive utilizam telemóveis e geradores», prossegue o memorando. "(sic)
Leram bem?
Isto é grave. Isto é muito grave. Se os gajos usam telemóveis e geradores, então estamos à beira do apocalipse! Saddam só tinha armas de destruição maciça; agora estes já desenvolveram "telemóveis e geradores". Alguém faça alguma coisa! E depressa! A Civilização Ocidental arrisca-se a ser varrida do mapa. Com "telemóveis e geradores" não se brinca. Um SMS terrorista e vamos todos pró galheiro!...

terça-feira, janeiro 13, 2004

AS AVENTURAS DE LANCELOTE 2000 - III

III

Lá estava ela, a Bela, coitadinha, adormecida (as bruxas são malvadas). Os pássaros à volta, a chilrear, por cima das flores cheirosas.
Mas eis que se ouve um galope, a aproximar-se. É ele, claro, Lancelote, principesco, a cavalo. Já a viu, é profissional. Acelera, rejubilando. Encontrou--a, finalmente!
Trava a cavalgadura, num relincho, e apeia-se dum salto. Atlético, destemido...Como nos filmes. Os pássaros fogem e o cavalo começa a pastar as flores...Hummmm!
Lancelote, encantado, acerca-se da Bela. Ajoelha-se e beija-a, sublime.
Ela abre os olhos, confusa, mas não demora muito e reage: prega-lhe duas sonantes e conseguidas chapadas, fitando-o danada e furiosa.
Perplexo, despeitado, o cavaleiro larga-a, num safanão brusco. Soprando, vai-se embora. No cavalo.
Os pássaros voltam, chilreantes. Por cima das flores.
A Bela rumina insultos ao vulto a esvair-se no horizonte. "Que merda, não se pode já dormir em paz que não venha logo um imbecil estragar o sonho!..."
Prepara outra seringa, esterilizada. O garrote...E depois injecta a veia, competente.
A pouco e pouco, o chilrear dos pássaros torna-se um eco longínquo...
Lá vem ele, querido... O Dragão.
Nu.

FÁBULAS - 1. A cigarra e a formiga


Instalada num confortável sofá, defronte da lareira, a formiga gozava dos confortos da sua casa nova e dos mantimentos açambarcados durante a boa estação. Lia balancetes e planeava mapas de recolha prá primavera..
Ao mesmo tempo, protegida, instalada, comprazia-se com a neve que ia caindo lá fora e o vento gelado que atormentava os campos.
A certa altura, bateram á porta. A formiga já o esperava e sorriu triunfante, ufana...
"Lá vem ela", pensou. "Por esta altura do ano, é sempre a mesma coisa...Mandriou o verão todo e agora vem pedir batatinhas!... Eu já lhe digo das boas!..."
E dirigiu-se para a porta da rua, toda satisfeita consigo própria; pronta pra mais um sermão vingativo.
Abriu...Não era a cigarra, era o Dragão.
Ia pra dizer qualquer coisa, o visitante, quando, derivado certamente ao clima inóspito, foi acometido dum espirro. Ainda tentou sustê-lo, mas em vão. Espirrou inapelavelmente. Em cima da formiga e da casa da formiga.
Depois, desolado, foi-se embora.
Mais tarde, quando a cigarra chegou, para vir pedir batatinhas, encontrou a porta aberta e aquilo tudo com ar de holocausto. Perplexa, não viu a formiga, mas viu as batatas, amontoadas na dispensa. Radiante, não se conteve de bradar:
"Olha que gentileza: batatinhas fritas!..."

segunda-feira, janeiro 12, 2004

LAPSO NO ÉDEN

Sempre que penso naquele episódio bíblico inaugural, do Adão e Eva às dentadas à maçã, ocorrem-me ideias sombrias e chegam a revoltar-se-me os fígados. Como é que há ainda alguém, com os alqueires bem medidos, que ouse e teime fundamentar-se em tal alicerce para vir falar de portentos metafísicos como "omnisciência divina", "omniprevidência divina" e outros que tais?...É mesmo só falar à boca cheia sem nada dentro da boca!...
Pois se o tal Iahvé tivesse alguma dessas qualidades (eu já nem pedia tanto, contentava-me apenas com um pouco de bom senso e noções básicas de planeamento), em vez de delegar as insignes funções de Árvore do Conhecimento na estúpida da macieira, encarregava disso o coqueiro...
Sempre queria ver se cabra da Eva e o alarve do Adão também mordiam aquilo!...
E os amargos de boca que não nos tinha poupado a nós!...

O TOP 2003 DOS MAIS SUBORNÁVEIS

Bem, finalmente, foi publicada a classificação dos mais subornáveis do planeta, para o ano que agora findou. Para quem esteja interessado em fazer negócios por esse mundo fora, aqui fica a tabela. Regista os protagonistas e o método preferido de suborno. Segundo o Observatório Internacional da Corrupção, Opulência e Suborno (OICOS), o top 5 de 2003 ficou assim ordenado:

5º: Dirigentes asiáticos.................Cornos de rinoceronte e animais exóticos em vias de extinção

4º: Lideres árabes..... Armas de destruição maciça e percentagens no crude

3º: lugar: Títeres africanos.... Dólares e casas de férias na Florida ou Cote d'Azur

2º: Políticos europeus neo-liberais..........Dinheiro (irrelevante a moeda ou proveniência)

1º: O presidente dos Estados Unidos....... Rebuçados.


De salientar, o comando destacadíssimo dos Estados Unidos, pelo segundo ano consecutivo; a ascenção meteórica dos "políticos europeus neo-liberais", do 4º para o 2º lugar (neste momento, um "títere africano" já consegue subornar um "político europeu") e a ligeira queda dos "lideres árabes", do 3º para o 4º lugar.
Pró ano há mais. De certeza absoluta.

domingo, janeiro 11, 2004

RADIO VULVA FM

Está na hora, meus amigos!...Sabeis decerto o que aí vem. Portanto, Deus vos proteja, que de mim ele não quer saber, pelo que o melhor mesmo é eu pôr-me ao fresco!...

Zé do Grelo:
Ora vivam, ciber-ouvintes!
Cá está a vossa rádio preferida e também predilecta! E esta noite, babem-se ó metaleiros, temos connosco o ídolo mais ignorado do momento, a mega anti-star a actualidade...ele mesmo, o único: Esquife Tale!! - Fundador e lider dos Caveira Maléfica, criadores do Morgue Metall!!
Vai estar aqui connosco, em pessoa (ou melhor será dizer, em mutante, em morto-vivo), para nos conceder, em exclusivo prá Rádio Vulva FM, e em directo para o Outro Mundo, uma entrevista.
Zé do Grelo: Olha, ó Esquife, primeiro que tudo, a pergunta que todos fazem: pra quando o próximo album dos Caveira?
Esquife: Boa noite, Zé! Olha, meu, o album está quase a emergir das trevas...estamos só à espera da confluência astral conveniente; já temos as vítimas prontas pró sacrifício, é mesmo só uma questão de Vénus alinhar com Júpiter. Pensa-se que daqui a sete dias, pelos cálculos do produtor, um feiticeiro Vudu das Antilhas.
Zé do Grelo: Foda-se, Esquife, isso até dá arrepios na espinha!...A malta já não aguenta tanta espectativa. Mas isso quer dizer que vocês mudaram de produtor. No vosso primeiro álbum pontificava, essa lenda viva que é o Conde Drácula III...Algum desentendimento?
Esquife: Não pá, tudo numa boa. Só que o Conde abusou um bocado de automobilistas, ficou agarrado à auto-estrada e, às sugadelas tantas, apanhou uma overdose. 'Tá a fazer uma desintoxicação e acreditamos que no futuro ainda vamos fazer péssimas coisas juntos!...
Zé do Grelo: Entretanto, também as letras já não são exclusivas de Charlie Manson e daquela convulsionária possessa que atormentava peregrinos a caminho de Fátima...
Esquife: Sim, a Madre Satãnica.
Zé do Grelo: Essa mesmo. Agora, fala-se mesmo duma faixa escrita por monstros alienígenas sanguinários...
Esquife: Sim, é verdade: o nosso baterista contribuiu pela primeira vez com uma letra.
Zé do Grelo: Ah...bem, e uma coisa que nunca explicaste e que os não-fãs se interrogam é: com'é que surgiu o Morgue Metal?
Esquife: Ya, nos primórdios nós começámos por ser uma banda de Death Metal. Mas aquela coisa de só tocar em cemitérios, de turnés por jazigos, de concertos para sepulturas começou a deixar de ter piada. Depois, era um mercado a ficar saturado e nós saturados daquela cena toda! Foi então que, quase por acaso, faleceu a minha garina com um machado na cabeça e eu tive que ir identificá-la à morgue...Pá, foi como que um flash, man: os gavetões, a acústica dos azulejos, o ar gélido, antiséptico, o odor enjoativo. Vi logo que era aquele o nosso nicho, o palco ideal p'á nossa música! Falei com o nosso manager e duas semanas depois tinhamos desenvolvido o conceito de concerto-autópsia!...O mesmo que evoluiu, posteriormente, para a chacina legal!...A introdução da moto-serra eléctrica amplificada e o sintetizador de ossos, 'tás a ver?!...
Zé do Grelo: Foda-se, Esquife: 'tá a acontecer história neste programa!...Só que, agora, parece que os Caveira estão prestes a protagonizar outra revolução...Ouvi dizer que este novo album que aí vem é, nada mais nada menos, que puro Tele-Metal!...T-E-L-E M-E-T-A-L, Esquife??! Que nova bomba é esta?...
Esquife: Bem, digamos que é a nossa concessão à indústria. Praticamente, foi uma imposição da editora: ou isso ou perdíamos o contrato para uma banda de Metal Pimba que eles já tinham em rampa de lançamento!
Zé do Grelo: Foda-se, Esquife! Não me digas qu'essa praga também já chegou ao metal!...
Esquife: Yá. Mas um dia, 'tava no meu caixão a pensar e ocorreu-me esta ideia: se os Pimba invadiam o metal então nós íamos invadir os telemóveis!... Foi aí que pensámos em criar o conceito de Tele Metal...
Zé do Grelho - Colhões do inferno, Esquife! Ideia genial!...
Esquife: Ya, podes crer. Até dá um certo gozo. O album é destinado ao mercado dos toques de telemóvel. Agora imagina o bacano, sempre que estiver fodido da vida - numa bicha pás finanças, no autocarro ou metro apinhado, numa plateia fatela qualquer-, a curte e o alívio com que o gajo não escuta a sair-lhe do bolso, num vozeiraço mais cavernoso que o arfar dos "Sepultura", num gorjear desumano que parece vindo directo das vísceras do inferno:
"Deixa-me arrancar-te as tripas
deixa-me sorver-te os miolos
beber-te o sangue enquanto gritas
regar com ele gretas e solos..."
Zé do Grelo: Jasus, Esquife! Parece que 'tou mesmo a vê-los, o people inteiro, farçola, a bazar à força toda, c'os pintelhos do cu a baterem palmas!...
Esquife: Ya, um mega-hit!...
Zé do Grelo: Um dia havia de ser, ó Esquife...Estamos todos condenados ao sucesso!...

E foi a vossa Rádio Vulva FM. Durmam bem. Se conseguirem!...


PRA MARTE E EM FORÇA!

O presidente WC Bush, ao contrário do que os especialistas pensam, não é doido nenhum. E de burro, tirando o olhar parado e ruminante, não tem nada. Quanto ao andar ser um tanto ou quanto amacacado, não comento. Mas duma coisa estou certo: na sua mente, algures, alojam-se faculdades analíticas fulgurantes. Das mais formidáveis que algum ser humano jamais hospedou. Esta sua ordem recente para a colonização da Lua e de Marte é só mais uma prova elucidativa dessa mioleira avançada.
Mas que interesse podem ter prá humanidade esses calhaus inóspitos, que vagam inutilmente no espaço?, perguntam os néscios; interrogam os estultos e palermões. (Nos quais, aliás, eu próprio militei até à hora em que, por milagre certamente divino, vi a luz).
Se fosse antigamente, ainda se compreendia. Mas agora há a televisão, que diabo! Não me digam que nunca viram reportagens do deserto, do Paris-Dakar, da "democratização" do Iraque (parte I e parte II)?!... Pois, então, se viram, e de certeza que viram, acordem...pensem, adicionem 2+2...
Quer dizer, comparem as imagens do deserto com as da Lua ou de Marte... E então? Já desenferrujaram os neurónios?...
Pois... é evidente, não é? - A Lua e Marte são desertos. Ora, nem mais. Não foi difícil perceber, pois não?...
Agora deduzam: o que é que há nos desertos? -Nada?...Não sejam precipitados, concentrem-se...Desçam para lá da superfície da questão e do solo desértico...Já esguicha? - Petróleo, pois claro! Os desertos estão cheios de petróleo; são jazidas e mais jazidas, Deus os abençoe!...
Ora, se os nossos desertos, que são pequenas parcelas do nosso planeta, têm aquele petróleo todo, imaginem-se planetas inteiros desertos... Só podem ser autênticas barricas flutuantes, tetas imensas a boiar no espaço à espera de serem ordenhadas.
Finalmente, reparem nas tremendas vantagens:
1. São deserto por todo o lado.
2. Não têm árabes.
Então, ainda perguntam que interesse podem ter esses calhaus inóspitos prá humanidade?...
É simples: prá humanidade, nenhum. Agora, para os americanos, aquilo vai ser uma mina!...




O G.A.N.D.U.L.O - 1ª Reunião, 3ª fase

Pois, eu sei que já estaveis impacientes para saber estas coisas, mas a malta aqui na tasca, aliás Ciber-tasca, gosta de fazer render o peixe.
Então, como eu ia dizendo, regressado o Caguinchas da sua Odisseia Imbecil, desaparecido o Batnavó, pilotado pelo Afonso Henriques, mais o cutelo justiceiro, o G.A.N.D.U.L.O retomou os trabalhos (salvo seja, dasse!...)...
Passámos ao "estudo de situação", uma vez que o "tratamento de notícias" teve que ser adiado, dado que os arquivos nos tinham desarvorado porta fora, na pessoa do sobredito Batnavó (a esta hora já estamos mesmo a pensar rebaptizá-lo como "Batnopovo", eh-eh).
Tomou, então, a palavra o Dinossauro e tomou também uma aguardente para aclarar os fagotes. Assim, de voz timbrada e mapa aberto, principiou ele:
-"Camaradas super-heróis... (aqui pigarreou e todos concordámos que tinha que emborcar mais líquido, porque o som não estava a sair ainda com a nitidez requerida; reaqueceu as válvulas e lá veio ele de novo) ...Comecemos pela distribuição das forças (e apontou com o ponteiro no mapa)...Aqui (indicando a Grã-Bretanha), nestas ilhotas mal frequentadas que Napoleão em má hora não desertificou, berço da Revolução Industrial e do capitalismo, pai e mãe de todos os ogres do mundo (e nossos figadais inimigos), pois aqui, encontramos os "comandos de Sua Majestade".
O Caguinchas, compenetrado, esticou o pescoço a ver se os via...O Dinossauro, erudito, prosseguiu.
-..."Outrora infestante, esta espécie está agora quase extinta e aparece apenas, em surtos ocasionais, na Irlanda do Norte ou em Gibraltar...
Mais abaixo, nesta área francófona (indicando Bélgica e França) estacionam os "Para-Comandos", espécie aberrante por natureza, que normalmente vive mergulhada em crises existenciais e de identidade. A sua toxicidade é relativa e actua mais sobre eles próprios que sobre terceiros...
Ainda mais pra baixo, à direita (e apontando o Médio Oriente) encontram-se os "comandos-suicidas", espécie muito activa, destruidora, mas, com a peculiaridade, de ser também auto-destrutiva. Sendo numerosos, não devem, todavia ser considerados perigosos, mas apenas efémeros. Finalmente, aqui na extremidade oposta da Europa, a sudoeste da Península Ibérica, vamos encontrar a espécie mais feroz, venenosa e ameaçadora: os "tele-comandos"!...
Fez-se um silêncio pesado na tasca (aliás, Ciber-tasca)...A nossa super-pele arrepiou-se e os super-cabelos até se eriçaram todos...
E o Dinossauro concluiu, com a retumbância do napalm:
-"São estes que nos compete combater!..."
Foi só nesta altura do briefing que o Caguinchas, com a oportunidade e a inteligência que o caracterizam, decidiu intervir:
-"E o Chevarzenega, ó Dinossauro?...Esqueceste-te do Chevarzenega!..."
É melhor eu não repetir aqui o sítio fora do mapa onde o Dinossauro mandou o Caguinchas enfiar a Califórnia (que até estava no mapa) e o respectivo governador Arnaldo.

sábado, janeiro 10, 2004

O PLANO

Tenho um plano. Mas aviso-vos, desde já: se sois criaturas sensíveis, amantes da paz e da ecologia, o melhor é navegardes para outras paragens. Porque o meu plano é tenebroso, fruto duma mente perversa e brilhante. E transborda de requintes maléficos indigestos para os estômagos mais sensíveis, fulminantes para o comum dos mortais.
Aqueles que, mesmo avisados, persistirem -movidos certamente por alguma curiosidade mórbida ou necrófila -, que fiquem desde já sabendo que não me responsabilizo por eventuais colapsos, possessões ou alienações irrecuperáveis que os devastem.
Pois bem, agora que, porventura, só já restam monstros no auditório, aqui vai...
Vou derrubar o governo. É isso mesmo: vou decapitá-lo como a uma serpente venenosa e peçonhenta. Incrédulos? Duvidais? Espreitais cépticos para trás de mim, à procura de exércitos, terroristas, comandos suicidas?...Que ingenuidade a vossa!
As coisas mais terríveis são sempre as coisas mais simples. O horror está sempre debaixo do nosso nariz - às vezes até dorme ao nosso lado na cama e toma connosco o café todas as manhãs... Durante anos não o vemos. Mas, todavia, ele esteve sempre ali... Até que um dia, como a esse canalha do S.Paulo, um clarão derruba-nos e tudo se clarifica.
Quereis ver a perfeição? Pois é tão simples como isto: alugam-se cinco ou seis miúdos, numa qualquer agência de modelos, onde mães gordas se acotovelam à procura duma oportunidade para os rebentos; subornam-se dois ou três polícias, precisamente aqueles que estão nessa noite de turno à casa do Primeiro-Ministro; vestem-se os fedelhos com roupas angelicais; infesta-se a casa do PM com os mesmos, industriados previamente para saírem a determinado sinal; convocam-se os jornalistas, quantos mais melhor; fazem-se sair os crianços ao encontro dos jornalistas. O resto é automático e inexorável. Assassinos mais implacáveis que os da imprensa e televisão, carniceiros mais desumanos, nunca, em tempo algum, existiram. O que a seguir sucede, não é bonito de se ver: um quadrúpede a ser esfacelado por crocodilos, ou esviscerado em corrida por hienas, é mais humano.
É melhor irem já pensando na merda que vão fazer nas próximas eleições; que caterva de anormais vão eleger desta vez.
Sim, eu sei: sou maquiavélico.

PANTEÍSMO CIENTÍFICO

Descobri uma fórmula. Uma fórmula infalível de converter um ateu no mais fervoroso crente. Desiludam-se, porém, católicos, protestantes e outros monoteísmos afins. A minha receita, infalivelmente, transforma-o sempre num panteísta.
Vou dizer-vos como funciona...Pega-se num gajo (um gajo gajo, macho, está bem de ver - a minha fórmula não resulta com gays), o mais ateu dos ateus, renitente a qualquer fé transcendente, leva-se para um tugúrio qualquer nocturno, com música, gajas, barulho de fundo; despejam-se-lhe umas cervejas, bastantes, pela goela abaixo; uns whiskies a rematar; e ides ver se o sacana não fica logo panteísta convicto, fanatizado!... É que fica mesmo! Num repente, como por artes mágicas, todas as gajas lhe parecem deusas, merecedoras de culto, credo e adoração!...
Eu, pelo menos, fico. É assim que funciona a ciência.

A NOTÍCIA DO DIA

Finalmente o "Expresso", meus amigos. Esse baluarte!... o único jornal que se vende ao quilo em Portugal. (Também se vende a outras coisas, mas isso é outra conversa...)
Mas oiçam, oiçam esta preciosidade que lá hoje se publica, com honras de 1ª página:
"40% dos portugueses pagam para ter sexo!"
Ouviram bem? Como diria o Almada: "Cocheiros, contai: Quarenta!!"
Que significa isto? Pôrra, otários, ide lá perguntar aos neo-liberais, e aos liberais inconformados, e aos liberais beatos, e aos liberais de esguelha, e aos liberais de ponta, e aos liberais todos da senhora puta que os pariu... Eles explicam. E explicam muito bem.
Explicam mais ou menos assim: isto significa, companheiro, que estamos no bem caminho. Assim é que é. Ora viva. Avante irmãos escuteiros!
Isto vem no seguimento das excelsas reformas liberais: os serviços devem ser pagos; todos os serviços. E quanto mais bem pagos, melhores os serviços -lógico, não? Ora, serviço mais meritório que vazar os tomates não há (e quem diz despejar os tomates, diz serenar o grelo, que mulher também é gente!...) Por isso, quem quer fodas de qualidade, paga! arrota! entra que nem um tonho! É como a saúde, e a justiça, e o ensino!...categoria, hem?! Supimpa!...
Queres foder de jeito, paga! Não tens dinheiro, fode em casa, com a patroa ou as manápulas, eh-eh!...Se preferes as manápulas, problema teu. Mas é melhor calçares luvas, ah-ah-ah!...É assim mesmo!...Olarilas!...
Estão a ver como as coisas são?..Estão a ver como os macacos vos mordem?!...
E o pior vai ser quando as patroas, fartas de serem parvas e comidas por parvas, se aperceberem da indústria e desatarem a cobrar taxa de atendimento!...Abençoadas!...
Por outro lado, estes 40% são um sinal inequívoco de progresso e modernidade, porque são uma prova do triunfo de novas ideias trazidas directamente do século XIX. E reflectem igualmente uma mentalidade já a arreigar-se ao nosso povo:
Só é bom o que se paga, o que custa dinheiro. Portanto, quanto mais caro, melhor!
De resto, ó meus amigos, tudo bem pesado, o liberal ou neo-liberal ou puta que o pariu resume-se, mais que a uma reductio ad absurdum, a uma reductio ad carteira, quer dizer, masturba-se com a carteira. Senão reparem (e utilizem a propriedade distributiva dos grupos): ele fode a puta; a puta fode-lhe a carteira; logo, ele fode a carteira!...Nem mais, nem menos.
Se isto não é um sistema perfeito...

UMA QUESTÃO DE CINTO

As conclusões duma pesquisa científica, em ambas as margens do Atlântico, estão a cair que nem uma bomba sobre as convicções até aqui tidas como indiscutíveis. Afinal, não é o álcool que está por detrás da crescente sinistralidade nas estradas de todo o mundo. Aliás, nem o álcool nem a generalidade dos estupefaccientes (mesmo sob efeito de LSD, o pior que o automobilista, regra geral, comete é fechar-se na bagageira e imaginar-se nas "20.000 léguas submarinas" ou numa viagem a caminho de Marte) agravam especialmente o risco de acidente durante a condução. Pelo contrário, contribuem para um relaxamento psíquico e motriz que facilita as manobras. Não, o verdadeiro responsável foi agora, finalmente, descoberto: Relações sexuais; sexo ao volante. Isso mesmo, nem mais. Estatísticas exaustivas e relatórios de ocorrência, compilados em todo o mundo, atestam-no. Os governos e as administrações estão em estado de choque com esta revelação. Os contribuintes interrogam-se pelo uso dado, entretanto, ao seu dinheiro.
De facto, o que cientistas credíveis e insuspeitos comprovaram, foi que não era o excesso de álcool no sangue que estava a perturbar os automobilistas, mas sim o excesso de espermatozóides nos testículos deles; o excesso de calor (o chamado climatério vulvo-vaginal) na vagina delas e o excesso de estímulos libidinosos a nível do cortex cerebral de todos (mesmo os mais idosos, imagine-se).
Entretanto, as estatísticas reflectem que o facto da viatura seguir apenas com um ocupante (o condutor) não diminui substancialmente os riscos: sobremaneira à noite ou em longas viagens, para não adormecerem, os condutores, muitas vezes, fantasiam ao volante e, sobrexcitados, tendem a masturbar-se nas auto-estradas. Ou então distraem-se com as bermas das vias, à cata de profissionais que os aliviem.
Em termos de factor de risco, o único dado aquirido é que o grupo de mais baixo risco é o dos casais heterossexuais casados em regime de comunhão de bens há mais de dois anos e há menos de dez (com mais de dez, o risco de sexo ao volante é substituído pelo risco de violência conjugal ao volante).
Quanto aos grupos de mais alto risco, o dos condutores masculinos solitários é o primeiro, logo seguido dos casais heterossexuais não casados e homossexuais de ambos os sexos.
Quanto às recomendações, no que concerne à prevenção e segurança, a equipa científica não tem dúvidas; é simples e de carácter urgente: basta substituir o cinto de segurança, artefacto inútil, por um cinto de castidade.
A obrigatoriedade deste cinto é mais que evidente. Campanhas de educação deverão ser lançadas e uma fiscalização rigorosa deverá ser feita. Em complemento, as viaturas deverão ser também equipadas com sistemas de alarme luminoso, para denunciarem o incumprimento da norma e o derivado perigo iminente para o restante trânsito.
Entretanto, se a situação mundial é, dum modo geral, considerada preocupante, países há, onde a classificação é já de catastrófica. É o caso de Portugal.
Aqui, sucedem-se as agravantes deveras complexas.
Primeiro, de ordem psicológica: os condutores transferem uma forte carga sexual para o carro, sobremaneira hiper-fálica, e pretendem, a todo o transe, foder tudo com ele. Psicólogos, psiquiatras e psicanalistas não encontraram ainda enquadramento para este desnorte: não sabendo se o hão-de incluir na ordem dos devaneios, das taras ou das esquizofrenias.
Em segundo, de ordem rodoviária: não só as estradas estão mal pavimentadas, desenhadas e sinalizadas, como cada vez mais estão infestadas de putas que distraem da devida atenção aos sinais e aos outros veículos.
Em terceiro, de ordem cultural: o condutor português concentra toda a condução nos pés e tende a usar as mãos para outras tarefas: falar ao telemóvel, masturbar-se, pilotar o hi-fi, maquilhar-se, gesticular, etc.
Em quarto, de ordem fisiológica: comprovou-se que a influência do volante e da trepidação automóvel sobre os testículos, a vagina e a libido é, nos portugueses, bastante superior à generalidade dos europeus e americanos.
Assim sendo, os especialistas recomendam unanimemente que, em Portugal, além do cinto de castidade reforçado, os condutores deverão usar também antolhos (à semelhança dos animais de tracção) e uma rede hermética de separação entre os lugares do condutor e do chamado "morto".
Até que enfim, uma luz ao fundo do túnel!...Alguém que diz alguma coisa com senso!


sexta-feira, janeiro 09, 2004

O DOUTOR PIO

"Psiquiatra diz que violação por pessoa famosa melhora auto-estima

Lusa
O psiquiatra Pio Abreu disse hoje numa conferência internacional sobre abusos sexuais, em Lisboa, que "a auto-estima de uma pessoa melhora se for violada por uma pessoa famosa", (...)"


Esta pérola acima transcrita, pode ler-se no "Público". É pra isto que os jornais servem: para nos educarem e esclarecerem. Ficamos assim a saber que, segundo o Doutor Pio, "pedófilo" é um tipo não-famoso que viola uma criança. Porque se o tipo fôr famoso já não deve ser considerado "pedófilo", mas sim "terapeuta": está a ajudar a criança a melhorar a sua auto-estima. Quer dizer, não está a fodê-la: está a tratá-la.
Esta brilhante teoria, deve colmatar a falta de méritos com o excesso de interesses. É usual hoje em dia. E não é preciso pensar muito para perceber o alcance do Doutor Pio...
Não sendo famoso, luta por sê-lo; nada e esbraceja com frenesim. Mais uma ou duas teorias desta categoria e tornar-se-á lendário, começo a suspeitá-lo.
Mas para que quer ele, tão afanosamente ser famoso?, perguntais vós. Bem, hoje em dia, parece que é moda. Toda a gente quer; uns por isto, outros por aquilo, quase todos pelo mesmo: auto-estima. Resumida no lema: quanto mais os outros me estimem, mais eu me estimo. Curioso, não? Onde isto nos levaria...
Porém, no vertente caso, temos uma baliza específica: a teoria do Doutor. Guiados por ela não é difícil descortinar:
O doutor quer ser famoso para poder tratar pessoas à vontade. Ministrar a terapia a preceito. Sem correr riscos de ocorrência de situações desagradáveis ou embaraçosas, como, por exemplo, acusações de pedofilia ou estupro.
Parece mesmo que até já o estou a imaginá-lo, da placa do consultório aos escaparates dos jornais: "Doutor Pio Abreu, o Frank Sinatra da Psiquiatria". E as mães e os maridos, com as crianças e as esposas deprimidas, a correrem ao tratamento miraculoso!...





UMA SOCIEDADE VERDADEIRAMENTE SECRETA

Nos dias que correm, podem estar certos: qualquer pessoa que visite uma repartição de finanças sem ser com intenções sérias de assalto ou estudo antropológico, vai responder por isso, em julgamento, às portas do Céu. E corre sérios riscos de ir parar directo ao inferno, sem atenuantes que lhe valham nem testemunhas abonatórias que o aliviem!
Aqueles a quem as armas não atraem, (não sabem o que perdem) experimentem o segundo caso.
A primeira coisa que vão ver são magotes e filas de zombies, deambulando dum lado para o outro, de guiché para guiché, com ar patibular, sorumbático, de sonâmbulos post-mortem em peregrinação contrafeita. Exibem papéis e documentos quase sempre insuficientes; fixam um vazio qualquer alhures, na orfandade resignada dum Deus inútil; vão e vêm, entregues à perpétua danação. Enfim: querem passar o rio , mas o barqueiro não os leva (confiram na descida aos infernos de Ulisses, na "Odisseia"); comparem com destroços numa praia ao sabor da maré: são iguais. A estes chamam "os cidadãos", corrijo: "os contribuintes" - cidadãos no estado cadavérico à mercê dum Estado necrófago; cadáveres adiados que pagam.
Mas não são estes o mais interessante. Não, o mais fascinante e, ao mesmo tempo, tenebroso, encontra-se para lá dos balcões, de plantão aos guichés, bocejando pelas secretárias. Chamam-lhes "os funcionários", Neste regime de "burrocracia" que é o nosso são eles os burros que celebram, que oficiam, que fustigam...os outros burros, os tais burros contribuintes, pseudo-cidadãos que por lá desaguam. É a exploração, a opressão do burro pelo burro; é o burrus lupus burrum - o burro lobo do burro!
Contemplai-os com cuidado, à distância conveniente...
Para lá dos olhos inexpressivos, indiferentes, ao fundo das caras esverdeadas, lúgubres, avista-se o imenso espaço dos buracos negros e dos vórtices, onde rodopia, sem sentido nem ordem, o ballet absurdo da anti-matéria e dos neutrilhões gelados. A forma como se movem, essa, lembra qualquer coisa intermédia entre a lesma e a sanguessuga. Não andam: deslizam, escorregam; avançam ao jeito dum grude peganhento...
Não, não é impressão vossa: são mesmo assim.
Mas, para lá desse panorama desolador, arrepiante, às vezes, ocorre-nos uma questão ( a mim, pelo menos, ocorreu-me): Donde virão estas criaturas medonhas? Como chegaram ali? Porque vias umbrosas ou canais secretos, se insinuaram e esgueiraram para ali vir dar?...
Pra mim, isso, é um autêntico mistério: ressuma a esotérico, hermético, proselítico. Imagino rituais medonhos de invocação, encantações mágicas, danças vudus, missas negras e sacrifícios humanos! Desconfio de monstruosidades loverkraftianas, conspirações vampirescas e inseminações extra-terrestres!... Subitamente, invadem-me pânicos petrificantes e delírios claustrofóbicos!...
Não, não sei, nem quero saber!...Só quero sair dali o mais depressa possível...respirar, acreditar que não há uma tampa fechada e 10 toneladas de bosta de burro por cima!...
Nunca conheci ninguém humano que se tivesse tornado funcionário das finanças...Nunca conheci alguém humano que aspirasse sequer a tal!...
Para terem chegado ali, imagino somente o labirinto, o beija-mão, a seita, a degradação das degradações!...Muito mais fácil será, seguramente, entrar prá maçonaria, prás Confrarias da Cabala, prá Cosa Nostra, prá Opus-day!... Até porque, algo na intuição mo garante, é só depois de selectivos esforços e treinos aí, nesses antros de ordálio propedêutico, que eles conseguem ascender ao supra-sumo, à quintessência, à mais secreta das sociedades de Portugal: as Finanças!...
Deve ter sido algo semelhante que inspirou o inferno segundo Kafka. E o conduziu à loucura.

PS: Entretanto, alguns leitores enviaram-me o seguinte comentário chistoso: "Não te sabíamos antropólogo, ó Dragão, eh-eh!..."
Pois, e também nunca ouviram falar em "reconhecimento", pois não, ó cavalgaduras?!!...