domingo, novembro 18, 2012

A Omnipotência da tripa




Em 74, todo o passado era mau. havia que terraplenar e construir tudo de novo. Inventou-se um Fascismo que nunca tinha existido e um "fascismo nunca mais" que serviu de protodetergente para a lavagem cerebral subsequente.
Em 2011, todo o passado estava inçado de vícios e quistos tumefactos. Havia (e há) que arrasar e construir tudo de novo. Inventou-se um Socialismo - que, de todo, durou os 17 meses necessários à liquidação ultra-rápida do Império e ao assalto partidário à economia, (assalto que prosseguiu nos anos seguintes até à presente data) -  e nunca mais se viu, sendo substituído por um mercantilismo empolgado, um olimpismo gestor e um consumismo desenfreado, a crédito e a subsídio externos, para não dar muito trabalho. Do "fascismo nunca mais" dos anteriores antifascistas de imitação, temos agora  o"socialismo nem vê-lo", dos neo anti-qualquer coisa de conveniência.
À presente data o socialismo é uma coisa tão vulgar e opressiva que o único partido que ainda o defende, o Partido Comunista, é taxado por todos os outros, e respectivas resmas de apaniguados, de "fóssil", "dinossauro", "jurássico", etc. Dá para orçar da influência e pregnância socialista na direcção dos negócios da nacinha.

Toda esta gente, bem no fundo, padece apenas dum mal das tripas -dado que neles o aparelho digestivo é mais complexo que nas pessoas normais, fazendo o cérebro parte crucial dele, na forma de tripa superior, ou intestino grosseiro -, que se resume num nome simples:: estrangeirite. Se o resto da europa tinha tido, nós também tínhamos que ter. Fascismo, claro. Se os outros partidos comunistas se tinham coberto de glória na luta contra a besta fascista, era imprescindível que eles não ficassem à parte na hora do desfile triunfal. E assim, da noite para o dia, em patrocínio da farinha Amparo, o país amanheceu não apenas inundado de socialistas, comunistas e social-democratas efervescentes,  aos molhos e aos saltos, mas, todos eles, com kit  e curso anexo de antifascismo instantâneo e, em muitos casos, por correspondência. Ou mera osmose manifestante.
Este antifascismo de alguidar continua presente nos actuais anticoisos, só que reforçado agora dum anti-socialismo belicoso de ocasião. Porquê? Porque pertence ao passado, o putativo socialismo, e como lhes compete varrer e romper com todo o passado, urge obliterá-lo sem dó nem piedade. E mesmo que já não exista enquanto realidade, mas apenas enquanto fantasma, trauma ou resquício, isso só amplifica a urgência e o alarido extirpador.  Em nome de quê? Já nem se percebe bem. Qualquer coisa que há lá fora, qualquer receita estrangeira. Tanto melhor quanto agora, mais que copiada estupidamente, até é imposta e administrada pelos próprios estrangeiros. E  nem já a crédito, ou engodo, como a desbunda anterior, mas a descrédito, e por castigo de todos os pecados colectivistas, como manda a boa prática sado-masoquista. Do Portugal SA, passamos assim, sem transição nem anestesia, ao Portugal S&M.
Mas o paralelismo destes anticoisos, tudo o indica, tanto quanto perversamente emulador, é retardado: se lá fora tiveram a queda do muro, nós também temos que ter. Toca pois de inventar um muro cá dentro. Para quê? Ora, para derrubar o muro! O muro de betão e asfalto em que delapidámos fundos, abichámos comissões e esfalfámos orçamoentos? Não, o muro do socialismo imaginário e requentado que nos sitia; o muro de fantasia que nos bloqueia; o muro da independência frágil que resta. E se, a pretexto do muro, vai o que resta da economia, isso, como aos seus antecessores a pretexto do fascismo, não os aflige nem minimamente incomoda. Bem pelo contrário, inebria-os e fortalece-os... Arruinados poderemos sempre viver, atrasados é que não. Nunca!
Quanto ao resto, a mesmíssima coisa: Os antifascistas da farinha Amparo, adiantados mentais de 74, consideravam que a a destruição do Portugal Ultramarino era excelente para a economia, maravilhoso para o povo e apaziguador para o estrangeiro (no fundo fazer parecer-nos bem ao estrangeiro é sempre o mandamento principal, senão único, destas dispepsias peregrinas). A ideia dum estrangeiro camarada, solidário, logo depois recauchutada num estrangeiro comunitário, prodigalizante, financiador nunca mais deixou de presidir à mentalidade vigente e, por encharcamento, à grande maioria da populacinha.
Os anticoisos esquisitos, avançados mentais da hora presente, também estão imbuídos da convicção plena que para fazer a economia crescer é imprescindível primeiro reduzi-la a quase nada. (É consabido que crescer a partir de quase nada é bem mais fácil e provável do que crescer a partir do que quer que seja em dimensão apreciável. Do nada fez Deus o universo, e do zero qualquer unidadezinha que seja bota figura. Aliás, quando o crescimento no 1º mundo se torna proplemático ou periclitante, nada como regredir o país ao terceiro para vê-lo ganhar balanço e trampolim). E também arvoram a sublime credulidade toinarenga de considerar o FMI como amiguinho  a Troika como instituição benemérita de índole angelical, cuja única e solene preocupação é a nossa recuperação, saúde e bem estar. De modo que obedecer-lhes cegamente não chega: há que transcendê-los e surpreendê-los com toda a panóplia abracadabrante da nossa própria auto-flagelação, subserviência e capachismo. Todo o país deve assim fervilhar de assimilados fervorosos,  compenetrados e prontos para a redentora assimilação externa, desta vez, reza-se e espera-se, final  e definitiva. Isto lembra um pouco um tipo cercado de canibais que entende que barrar-se de manteiga, limão e molho picante, acrescido duma maçazinha na boca, é a melhor forma (mais: a única!) de apaziguá-los e concitá-los à fraternidade humana. E é o resultado da infantilização e da efeminação - ou seja, da imbecilização-, da política nos últimos cinquenta anos. O espaço sensível em que a visão do mundo foi usurpada pela televisão do mundo.
Ora, tudo isto implica mais uma consideração óbvia: é que esta gentinha iluminada, do Prec I como do Prec II, (chamem eles ao "r" o que quiserem: revolucionário, reformador, refundador, a real PQP!), partilham igualmente de outra idiossincrassia exuberante: ao mesmo tempo que idolatram qualquer nuvem no Além-fronteiras, esse acto nunca excede uma idealização e fantasia suas. É invariavelmente a cegueira mais clamorosa à realidade desse modelo estrangeiro - ontem, das uniões soviéticas e paraísos socialistas, onde, por exemplo, Staline matou mais comunistas do que o próprio Hitler, que fazia disso imperativo categórico -, e hoje, dos FMIs, Agências de rating, Alemanhas, Américas e até, pasme-se, já das próprias Angolas. De repente - aliás, por tradição, isso sim -, o mundo está replecto de santidade, perfeição e melhor das intenções, desígnios e oportunidades: basta passar a fronteira. Mas o mais indecoroso, e patético, é que estes adoradores do longínquo, estes amázios manteúdos do Outlook, tanto quanto duma cegueira selectiva, são acometidos e avassalados por uma amnésia histórica. Da mesma forma que usam de implacável, esbirra e histérica severidade para com a  histórica do seu próprio páis, votam uma desmemória ou lexívia branqueante absolutas à história do estrangeiro de apetite, cobiça ou afeição. Porque, no fundo, não têm país próprio. As tripas inferiores não deixam, e a superior age em conformidade. Nem país próprio, nem sequer de adopção: apenas de conveniência. A prazo.
É por isso que, ontem como hoje, e acima de tudo, estes despaisanos, estes expatriados a juros,  a quem a tripa serve, simultanemante, de alma, de ego e de cordel para irem a reboque da caravana circense da moda, outra vocação, ocupação e desplante não exibem senão o rosnar, ladrar e, por qualquer outra forma arrotante e pesporrente, desvalorizar, despromover ou menoscabar Portugal e os portugueses. 
O Prec I (e o Pós-Prec) serviram para desmantelar o Império e arruinar a Nação. Este Prec II, se o deixarem, vai liquidar o país.. E não se iludam nem se auto-embrumem: como o anterior, não está apenas na rua: está, sobretudo, no poder.
É que a tripa de suíno não induz apenas ao omnivorismo: induz mais ainda à omnipotência.


30 comentários:

zazie disse...

«Porque, no fundo, não têm país próprio»

Magnífico.

É literalmente isto- à Four Yorkshiremen

Samuel de Paiva Pires disse...

Este post é uma obra-prima, caríssimo Dragão.

Limpa o cú a meninos. disse...

Vá dizer isso aos mortos provocados pelo salazarismo.
Se o fascismo em Portugal não existiu,como V. Exa. afirma será que o salazarismo também não?
Já agora para o ajudar quero enviar-lhe 100 rolos de papel higiénico.
Pois está mesmo com diarreia mental.
A direita reaccionária está em pânico,toda ela aponta para a restauração do salazarismo como diz este.

Anónimo disse...

Ler sem entender. Entender sem ler. Aprender sem ficar a saber. Quase tudo isto está no comentário notável deste vendedor da Renova.
E deixámos de sr um país de analfabetos?

mujahedin مجاهدين disse...

O que o sr. Renova quer dizer é que as pessoas como ele, quando pensam muito no Salazar, dá-lhes o badagaio e morrem (cerebralmente) ali fulminadas ou pelo menos gravemente debilitadas. É a isso que chamam "salazarismo". No fundo deve ser uma espécie de trombose auto-induzida...

Só pode ser isso, porque senão, como é que a gente faz para restaurar o salazarismo com o Salazar morto? Exuma-se o homem lá de Sta. Comba e põe-se à janela de S.Bento? Tipo El Cid?

Se calhar não era mal pensado, de toda a maneira já são mortos cerebrais que lá estão. E o Salazar, mesmo morto, ainda inspira respeito a esta corja.

E depois a da direita reaccionária também é boa, porque realmente há quem reaja. Mas como não há direita, só sobra a esquerda. Como se vê pelo sr. Renova. A coisa entrou-lhe de tal forma que teve de reagir.

Ahaha. O que só prova que este foi mesmo dos bons.

dragão disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
dragão disse...

O salazarismo existiu até ao passamento de salazar. Teve defeitos e teve virtudes, como qualquer regime de homens.
Ao contrário, naturalemnente, da antiga União soviética - só tinha virtudes eternas e imarcescíveis, não causou quaisquer baixas humanas, nenhuma censura nem repressão e absolutamente zero presos políticos; como alás competia a um puro e imaculado regime de anjos.
Justamente, a lenda negra do "fascismo" do estado novo foi segregada por essas nobres almas celestiais que adoravam e serviam o regime soviético à distãncia, então geográfica e agora, pelos vistos, já apenas crono-sentimental.
Tomo a denúncia de diarreia mental, dada a qualidade do emissor, como um franco elogio.
Até porque a diarreia tem cura fácil; já o vácuo ou a sida ainda não.

Anónimo disse...

Eu sou sanguinário, confesso.
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Gosto muito de fassssismo e de monarquia. E porquê?
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Porque são, vá lá, regimes em que, para a gente se livrar de quem os encabeça, tem que se lhes limpar o sebo.
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Aborrecidos estes tempos da actualidade.
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Um gajo vai à urna, mete a culatra para trás, carrega o voto e... porra, não mata ninguém.
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Mas alguém devia ser morto. Não há outra forma de mudar as coisas. O rei foi morto com uma bala no peito. Ele e a descendencia.
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Já nos começamos a abichanar no 25 de Abril. Já só ameaçamos que matavamos, mas afinal saiam cravos das pistolas. Ainda assim a intimidação da força tornou possivel a mudança. Não foi sanguinária como a situação exigia.
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Hoje em dia, somos mesmo maricões consagrados. A única coisinha mais sanguinária que ainda vamos fazendo é não ir votar ou, se a coisa for mesmo grave, é ir à urna armado e disparar um voto em branco. Às vezes sinto-me o Clint da Floresta do Oeste.
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Mas enfim, todos os regimes, seja ele qualquer um, tem sempre os dias contados.
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É assim. A monarquia é coisa boa, mas tem dias. Se nos sai um imbecil tem que levar um balazio.
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Não há outra forma. Um ditador tambem é coisa boa...

...mas só por 20 anos. Nos anos seguintes já merecem a cadeira electrica ou que caiam da cadeira.
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A democracia, essa, também é boa. É boa durante o tempo em que os partidos que a compoem não se tornam eles proprios ditadores ou monarcas absolutos.
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Quando isso acontece, como eu penso que está acontecer agora mesmo, é altura de voltar para um outro regime mais puro. Talvez para a monarquia que já faz tempo que se foi. E depois o actual candidato a Rei talvez nos faça o favor, devido à idade, de não se aguentar mais de 20 anos. Mesmo certo e direitinho para vir logo outro regime e...
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Ricciardi (Rb)

dragão disse...

Rb,

vá, não efabule.

Já sabemos que é sanguinário. Mas só quando entra na Faixa de Gaza...

lusitânea disse...

Vou copiar.
Isto devia ser restaurado, mas anda por aí tanta paneleiragem...

Anónimo disse...

Dragão,

É de bom tom, sabemos, e estimada educação, presentear os amigos (de Gaza) com reciproca cortesia...
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Rb

mujahedin مجاهدين disse...

Ó Rb,

Está a ver, isso não é nada...

Um problema dos "democráticos" é que não toleram outra coisa que não "democracia". E o mais irónico é que nem sabem bem o que é, e gaguejam - quando não tergiversam - quando se lhes pergunta o que é, afinal, isso. E apenas se não puderem ficar e manifestar a sua indignação por alguém se atrever a querer definir e prender minimamente essa coisa à realidade objectiva. Se bem encurralados, lá concedem que é, pelo menos, uma merda. Mas apenas para se justificarem logo de seguida dizendo que é a menos merdosa das merdas...

Bem não, temos os "democráticos" a falar em matar pessoas e reis e ditadores, como medida higiénica, e os, enfim, não-"democráticos" a recomendar calma e moderação. Irónico, non?

Mas o exercício pode ser levado mais longe. Em se conseguindo definir algumas características concretas da "democracia", vai-se a ver e - Espantai! - não é que as "democracias", afinal, as que existem, não possuem algumas ou mesmo nenhuma dessas características? Têm assim umas disfarçadas, a ver se passam (e passam, mas por outras razões), mas bem espremidinhas, não são nada. E se quiser tentar, força, escreva aí umas características e vejamos.

Agora, V. vai dizer que isso é culpa dos homens e não das democracias. Que as democracias são um ideal que é corrompido pelos homens. Bom, isso é um tautologismo, caro Rb. Pode e deve ser dito de todo o regime e todo o sistema. No entanto, repare que há outro grupo de prometedores do céu que anda sempre a dizer exactamente a mesma coisa: pois é, os nossos sempre bem intencionados comunistas. Os puristas da democracia. E como tal, quando se fartam do líder, dão-lhe um tiro e até das fotografias os apagam. Isto claro, se o líder não se tiver deles fartado primeiro... Como sabemos, não existe melhor regime na Terra...

Já o salazarismo, por exemplo, desde o homem objecto do "ismo" até ao sujeito, foi ao contrário. Antes de prometer, fez. Antes de chegar ao céu, subiu um pouquinho na terra. É por isso Rb, que ele foi o salvador da Pátria. É por isso que o pintavam na figura de D. Afonso, o Primeiro. É por isso que mesmo manipulado num programa manhoso de tv, conseguiu ser eleito, sin duda, o maior de todos os tempos. O maior, Rb. E nem era do Norte (também não era do Sul, mas vá). Mesmo depois de 30 anos da mais infame, mais ignóbil, mais vil, calúnia e pérfida desinformação.

Isto para dizer Rb, que se alguém o matava, não tardaria muito a seguir-lhe o destino. Tenho poucas dúvidas que o povo se não revoltasse contra os autores de tamanha perfídia. É fácil falar quando se está aqui de papo para o ar (salvo seja), com o homem morto e caluniado. Mas a verdade é que, com ele vivo, ninguém se atreveu nem se atreveria. Ele próprio infundiria respeito aos adversários, mas não era só isso. As pessoas reconheciam-lhe a obra e a dedicação. Queriam-no e estimavam-no. Ninguém toca num salvador da Pátria, Rb. Porque se o fizer, tem a dita Pátria à perna. Salazar tinha uma legitimidade democrática, Rb, maior do que qualquer pessoa teve em qualquer democracia. Em Portugal e até no estrangeiro, diria eu.

Os mesquinhos detestavam-no e detestam-no por isso também. Porque se sabem incapazes de obter esse status. Que no fundo e ao contrário dele, é apenas o que sempre quiseram. Mas pensavam que era só sentar-se na mesma cadeira e que o resto viria por arrasto. As massas viriam o seu encontro depositar o seu amor (e os seus cobres). Mas não. Enganaram-se. Afinal era preciso trabalhar, labutar, orientar também. E os cobres têm que los arrancar a ferros (retenção na fonte, como lhe chamam). E estão mais perto eles de levar o tiro do que esteve alguma vez o Salazar, mesmo nos sonhos desses próprio mesquinhos cobardolas. E ninguém se lembrará deles de uma ou de outra forma, que nesta terra ninguém guarda más memórias. Mas daqui a vinte anos, Rb, garanto-lhe que o Salazar continuará a ser, apenas, o maior de todos os tempos. E não sou eu que o digo: é o povo, que é quem mais ordena. Ou não?

Anónimo disse...

Pois, Muja, tambem nao é preciso exagerar.
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O Salazar até colhe as minhas simpatias. Ele e o Humberto.
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Mas não era a isso que me referia; o queria dizer é simples e banalissimo... uns regimes não são melhores do que outros senão no momentum da história em que são aplicados.
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Como diria Salomão (euclesiastes?)- há um tempo para tudo. Tempo para as ditaduras, para as monarquias, para as republicas. Mas todos os regimes caem de podres, inoxeravelmente. Todos se avacalham com o tempo. É da natureza humana.
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Portanto não se pode dizer que a ditadura é má. Depende. Depende de quem é o ditador e se se justifica que alguém dite. Não me apetecia nada que viesse por aí uma ditadura do, say, Fernando Rosas apoiado pelo militares... ou do paulo portas. Nossa senhora, afasta de nós esse calice porque tipinhos com o espirito de missão de Salazar não existem por aí aos pontapés.
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Em momentos de crescimento e pujança social não advém a ditadura. O povo anda feliz demais para contestar ou apoiar manifestações ou mudanças nas politicas.
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Nos dias que correm, em portugal, não fora as ligações a instituições supra nacionais e a esta hora já o regime era outro. Até eu já me via sentado numa chaimite rumo a Lisboa com uns altifalantes; mas não dá. Não há apoio de quem tem balas, mesmo que nem fossem necessárias.
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Mesmo assim, desconfio que já devem existir grandes conspirações nas caves de algumas mansões...
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A sério. Estamos em tempos fantasticos. Imagina bem ali em Sintra naquelas casas maravilhosas as reuniões que não se farão. Ha lá um hotel-mansão que é mesmo apropriado para estas coisas.
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Dali vai surgir, pelo menos, uma tentativa...
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Rb

zazie disse...

A monarquia não é um regime mas um sistema de poder.

A monarquia opõe-se à república. Não se opõe à democracia.

zazie disse...

A monarquia não caiu de podre e nem sei a que despropósito se pode dizer um disparate desses, quando as repúblicas é que tradicionalmente são impostas pelas armas.

Anónimo disse...

Caiu como cai tudo. De podre, maduras, sem vida, sem apoio etc.
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Rb

Anónimo disse...

De resto, irrita-me profundamente as pessoas ignorarem o passado.
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Os previlégios excessivos da nobreza e do clero contribuiram fortemente para que a burguesia liderasse o movimento do povo que culminou com o fim das monarquias todas. Refiro-me as monarquias absolutistas. As de hoje são, sei lá, coisos reais.
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E irrita-me porque estamos a ver a mesmissima coisa. O exagero dos previlégios dos nobres do regime republicano. Sem que vislumbre fim à vista. Os nobres da republica são os partidos amantizados com todos os servidores do estado - os rentistas.
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O povo está canasado destes nobres. E vão cair. Só não se sabe é se da queda se vai fazer elevar coisa pior ao poder.
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Rb

zazie disse...

O que está em cima é igual ao que está em baixo; e vice versa.

Não sirvas a quem serviu nem peças a quem pediu.

zazie disse...

Quando a monarquia caiu já o clero não tinha privilégios.

Os privilégios do clero foram substituídos pelos do Estado moderno.

Repetem-se sempre os mesmos chavões sem se saber o que se diz.

zazie disse...

E qual foi o movimento popular que deitou abaixo que monarquias?

Na volta foi o povo pencudo com o Cromwell e como outro idêntico um pouco por todo o lado- o povo iluminado.

Papoila Cintilante Tripeira disse...

O que me apraz dizer: Viva o Benfica!!

mujahedin مجاهدين disse...

Fora a questão parlamentar, o Estado Novo não era assim tão diferente deste (até nisso a pobreza de espírito dos "democratas" se revela; mas antes isso do que um clone soviético) ao nível de regime político.

Havia uma Constituição, havia separação de poderes, havia tribunais, havia deputados, havia eleições, havia tudo isso. Não havia partidos, pois não. E para mim, não fazem falta nenhuma. Havia uma Câmara Corporativa que agora não há, e em vez dela há "lóbios" mais ou menos velados, o que me parece bem pior.

Para mim, e do que li, parecia-me uma coisa em condições e não seria preciso muito para o adaptar e modernizar. A questão da censura, por exemplo, já nos anos 50 houve uma proposta de Lei da Imprensa do Marcello Caetano para definir os limites legais da comunicação social de modo a que se pudesse acabar com a censura. A coisa não foi para frente, por um lado por causa do conflito do Ultramar e por outro, segundo o próprio Caetano, porque os editores dos jornais curtiam a censura que os dispensava de terem que pensar como editar os textos e por outro dava-lhes poder sobre os jornalistas: se não gostassem da peça, diziam que tinha sido rejeitada pelo exame prévio, quando nem do jornal tinha saído.

Era uma coisa pensada e ponderada, em vez de ir atrás de parvoíces de modas estrangeiras como treta que hoje se tem. Aliás, eu não sou jurista nem perto disso, mas do que li da Constituição de 33 (e foi quase tudo do compêndio dos Princípios Fundamentais de Organização Política e Administrativa da Nação do 3º ano dos liceus), nem me espantava que funcionasse tão bem em república como em monarquia por exemplo. Não havia de ser preciso mudar muitas coisas.

Agora, nada daquilo valeria coisa nenhuma sem homens. Diz V. que os regimes apodrecem. Talvez. Eu tenho dúvidas. Acho é que homens extraordinários aparecem raras vezes (e poderão até ter extraordinários defeitos). E quando se está habituado a eles, é natural que se estranhe os mais medianos que a seguir podem vir. Mas nenhum homem dura para sempre, isso é que é certo. Mais uma razão para se cuidar da obra daqueles extraordinários. Sabe-se lá quando voltarão a aparecer...

A mim entristece-me e revolta-me que se tenha atirado com a obra de um homem extraordinário para o lixo juntamente com os sacrifícios que a obra exigiu, para a substituir por uma de fancaria, de pechisbeque, mal amanhada e ranhosa. Quanto mais sei, mais revolta sinto. Vejo já bem além do monte de patranhas que me tentam impingir. Não sei como era dantes, mas não hesitaria um segundo apenas a dar o que pudesse a alguém que se apresentasse com um projecto semelhante. E não tem nada a ver com autoritarismo, fascismo ou nada dessas merdas. Isso são papas e bolos para enganar os tolos. Se uma coisa dessas aparecesse, a gente via logo. Porque se vê em tudo o que ficou desses tempos. O cuidado, a forma, a qualidade, a dedicação. Sobretudo vê-se uma coisa que não se vê mais e que o Dragão já mencionou:

Ser português tem que deixar de ser uma fatalidade, que não é, e passar a ser uma honra.

E isto não tem preço.
Que raio, muito haveria que melhorar, só um tolo poderia dizer o contrário. Há sempre que melhorar. Mas era necessário deitar tudo abaixo, para melhorar? Não seria possível melhorar sem destruir? É claro que era. Então se era, porque não foi? A resposta é nítida: não era para melhorar nada. Nunca foi, tal como não é. Se isto não é digno de revolta - verdadeira, profunda, lúcida - não sei o que será.

Anónimo disse...

Pois é Muja. Tem razão.
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Às vezes irrito-me com coisas simples. Deve ser do clima frio.
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O presidente da junta da minha aldeia colocou uma placa identificativa de cada rua da freguesia. Placas de plastico e como os nomes gravados e depois aparafusados nos muros de cada rua e até tem o simbolo da cidade tipografado e tudo... a cores.
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O tipo colocou aquilo há uns meses. Eu avisei-o. Não ligou. Aquelas placas amareleceram, caiu o nome gravado e as porcas dos parafusos enferrujaram e cairam. O simbolo foi um ar que se lhe deu.
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Olhei para aquilo, chamei o presidente e disse-lhe. Porra pá, anda comigo ver placas como deve ser. E fomos porque eu agora tenho imenso que fazer.
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Parei numa daquelas que ainda existem do tempo de Salazar. Todas iguais. Brancas de cimento branco.
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Não acabam nunca e mesmo que a tinta saia é facil repintar. Estás a ver óh... é isto. Manda fazer placas destas que estão aqui há 40 anos. Pelo caminho ainda lhe disse estás a ver esta paragem do autocarro? é uma merda. Destruiste a velha do Botas para fazeres uma em vidro que já nao tem vidro porque alguem o partiu. Volta a fazer a paragem como sempre foi.
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O tipo acha que não. Tem a convicção profunda da modernidade. Gastar... e ganhar com o gasto. É do PS. Mas no anterior mandato era do PSD. É consoante quem estiver melhor posicionado para ganhar.
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Agora resolveu fazer uma capela mortuaria nova. E aproveitou para, já agora, fazer a escadaria toda até à igreja; e, já agora, repavimentar toda a area circundante e recuperar a antiga casa do padre anexa à igreja e, já agora, murar a zona toda. O inergumeno tirou a pedra velha das escadas centarias e substituiu por betão forrado a pedra cerrada.
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O cabrão gastou uma fortuna em obras estupidas. Morre um tipo por ano. Um ou dois. Sei disto por o sino tem um toque especial quando morre alguém; e agora é mesmo o som do sino original, que é um gosto; eu fui daqueles que paguei à igreja e financei o arranque de uma coisa monstruosa que tinham posto a substituir o sino.
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O megafone ligado a uma cassete que entoava as horas distorcidas num tlim tlam que me irritava profundamente.
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Agora é um tlim tlam electrico mas ligado ao um sino de verdade. Até dá gosto ouvi-lo. Dá gosto morrer a ouvir um sino assim.
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Anyway, Esta gente que nos governa é estupida. Olha que eu ouvia o actual presindente da camara, há uns 20 anos, a vangloriar-se de ter feito um negócio fantastico para a cidade com os alemães. Dizia ele que os burros dos alemães pagavam bem a pedra das ruas antigas da cidade. Aquele parelos rectangulares polidos da idade e uso. Os alemães compraram tudo. A camara vendeu tudo e com satisfacção Os burros dos alemães, dizia. E depois pegava no dinheiro da venda e mandava alcatroar as ruas. Palerma. Hoje, volvidos 20 anos está a destruir outra vez as ruas alcatroadas e a comprar paralelos de pedra. Deu-lhe as saudades. Deve ser isso.
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Estás a ver como se gasta dinheiro. Não é à toa que 30% dos nossos impostos é para transfernecias para as autarquias.
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E o que é que isto tem a ver com a conversa? Tem. porque o Salazar era tipo poupado e com espirito de missão. Errou em muitas coisinhas mas gostava do país... e percebia bem os portugueses.
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Rb

Álvaro Queirós disse...

eu gostava de deixar um comentário mais lúcido, mas só me ocorre escrever que faltam "tiros", "sangue", "mortes",,,, de outra forma, ou formas, irá tudo continuar na mesma....

jsp disse...

Este seu habitualmente embasbacado leitor atreve-se ao sussurro de um reparo : Vossência refere-se a "isto" como um país.
Ora os países ( não as nações ) assemelham-se, por vezes, a certos indivíduos - cometem suícidio.
E "isto" , que o senhor, emotivamente, ainda trata por país, resolveu deixar de existir precisamente no 25 A.
O que se vê por aí, parafraseando o grande Ernâni Lopes, são sinais exteriores de independência - e nada mais do que isso.
Cpmts.

O faroleiro disse...

à diarreia mental do guru segue-se a diarreia dos acólitos

mujahedin مجاهدين disse...

E, bom, V. aqui vem acolitar também. Ranhosando, é certo, mas acolitando não obstante...

Se o dono da casa diz que é elogio, quem sou eu, mero vagabundo, para contestar.

Resta-me, pela minha parte, o agradecimento.

dragão disse...

Agora já está empipado. Confunde guru com o prior da paróquia; e meditação transcendental com catequese.

É o que dá o torcida-ioga. Enleou-se de tal forma que, de mimese com as ideias, uniu as extremidades digestivas. E clama assim para que o desenvencilhem!...

Logo agora que, junto com autonomia, decobriu a imunidade à soltura.

zazie disse...

":O))))))

O faroleiro disse...

eheheh

sóbrio só até às 18h GMT

é a única maneira de aturar a besta fascista